Mostrando postagens com marcador Desempenho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desempenho. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de julho de 2013

Universidade Estadual do Ceará propõe perguntas racistas em censo


Estudantes acusam Universidade Estadual do Ceará de racismo

Por Agência Estado | 17/07/2013 18:48

Instituição aplicou pesquisa com a pergunta sobre cotas: "Você concorda que a qualidade dos cursos será prejudicada com a entrada de alunos negros?"

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) é acusada de racismo pelos estudantes, ao aplicar o Censo Discente 2013. A pesquisa da Procuradoria Educacional Institucional pretendia levantar o perfil socioeconômico e cultural dos 18 mil estudantes da Uece, mas provocou a reação dos alunos em relação às perguntas sobre as cotas raciais.

Os estudantes consideraram as perguntas racistas. Uma das perguntas é: "Você concorda que a qualidade dos cursos será prejudicada com a entrada de alunos negros?"

Em resposta, a Uece diz que "as questões 26 a 33, referentes às opiniões quanto ao sistema de cotas raciais e sociais na universidade, têm o propósito de captar a compreensão dos aluno/as da Uece quanto aos argumentos que norteiam sua opinião eventualmente favorável ou desfavorável ao sistema de cotas nas universidades", descartando assim o tom racista denunciado pelos alunos através de manifestações nas mídias sociais.

A universidade destaca que "a metodologia adotada na construção desse instrumento levou em consideração a importância de expressar diferentes opiniões, mesmo que polêmicas, sobre temas que ainda não têm unanimidade na realidade brasileira, como o sistema de cotas no ensino superior, possibilitando que os aluno/as expressem os diferentes posicionamentos e argumentos. Questões dessa natureza estão presentes nos instrumentos de pesquisa de muitas universidades. Perguntas como essas, por exemplo, fazem parte da pesquisa de atenção aos alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL)".

Pesquisa: Ibope mostra que 62% apoiam cotas em faculdades

Assinada pelos pró-reitor de Políticas Estudantis, Antônio de Pádua Santiago de Freitas, pela coordenadora da Célula de Ação Afirmativa, Maria Zelma de Araújo Madeira, e pela pesquisadora educacional, Fátima Maria Leitão Araújo, a nota diz que "para que seja garantida uma universidade socialmente referenciada e inclusiva, o mapa das resistências e das aceitações, quanto ao sistema de cotas, sobretudo as étnicas, precisa ser feito". (sic)

"As questões, sob a forma de inventário, para resposta sim ou não, devem ser instigantes, para que as posições sejam percebidas com clareza, sem que, a priori, haja julgamento de valor. As várias posições precisam aparecer no questionário, pois assim modularemos as formas de implantação, sem perda do objetivo de construirmos uma Uece democrática e justa. A Uece acredita que todas as ideias necessitam da luz do debate", diz o comunicado. (sic)

Os estudantes da Uece se manifestaram no Facebook. Tiago Régis escreveu: "Racismo é crime!!! Isso foi racismo". Outro estudante postou: "Isso é um absurdo! A universidade deve pertencer ao povo". Um terceiro aluno da Uece comentou: "Sinceramente, é cada coisa que a gente vê e lê em pleno século 21. Mente conservadora, colonial, elitista e segregacionista". As mensagens tiveram até o meio-dia desta quarta-feira mais de 200 compartilhamentos.

A assessoria da Uece divulgou que "não ficou bem entendida a pergunta para os alunos". "Ninguém teve intenção de afetar ninguém com os questionamentos. Inclusive, uma das pessoas que elaborou a pergunta é professora doutora e negra" (sic!!!), afirmou. A professora em questão é Zelma Madeira, coordenadora de Célula de Ação Afirmativa da Uece. "Sou do movimento negro, sou negra e favorável às cotas. Estamos tranquilos com o teor da pesquisa", disse ela. "Queríamos saber os argumentos dos alunos, se são favoráveis ou não às cotas. A intenção foi a de captar as opiniões deles e entender o que os 18 mil alunos compreendem sobre o sistema", afirmou.


Fonte: ÚltimoSegundo



OBS.: os "sic" são nossos, de Memorial Lélia Gonzalez.  É trágico que usem as "ideias" de "opinião", "argumento" e "posicionamento" como se fossem sinônimos!!!  Trágico também
o clichê acadêmico de "metodologia adotada na construção desse instrumento" como se "metodologias" e "instrumentos" fossem neutros... Afff!!!  TUDO isso num lugar que chamam de universidade... Aff!!!

 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Cotistas da UnB provam mérito e põem abaixo mitos de críticos

Cotistas da UnB provam mérito e põem abaixo mitos de críticos

9 de Junho de 2013 - 15h56

"A função das cotas raciais é deixar de existir assim que a discriminação reduzir ou acabar. O papel da sociedade é trabalhar para que isso aconteça o mais rápido possível", afirma Natália Machado, antropóloga, aluna cotista.

Por Ana Pompeu*, no Correio Braziliense

Não fossem as cotas raciais, a Universidade de Brasília (UnB) teria 71,5% menos negros no quadro de estudantes na última década. Quem esteve no seminário “10 Anos de Cotas na UnB: memória e reflexão” considera o número representativo. Para eles, é a prova de que a política afirmativa da instituição deu certo e vem incluindo uma parcela discriminada e excluída do ensino superior.


Além disso, os bons resultados apresentados pelos cotistas põem abaixo alguns mitos levantados pelos críticos da ação. Entre eles, havia questionamentos sobre a queda do nível da universidade com o ingresso de estudantes por meio de cotas. O tempo provou, no entanto, que o desempenho deles, comparado ao do sistema universal, não teve diferença significativa. Em 2009, chegou a ser superior. A média do índice de rendimento acadêmico (IRA) ficou em 3,1 para os cotistas, enquanto os demais estudantes alcançaram 2,9.

A partir deste mês, a instituição aprofunda o trabalho de avaliação dos resultados para decidir sobre a continuidade do sistema. Em 6 de junho de 2003, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) aprovou a reserva de vagas na UnB.

O plano estipulou 10 anos para a duração da política. Como a primeira turma com alunos cotistas ingressou no segundo semestre de 2004, o prazo vence no fim do primeiro semestre do próximo ano. Portanto, chegou a hora de a universidade pensar sobre a manutenção da reserva de vagas. Uma comissão nomeada pelo reitor deve começar a se reunir para estudar propostas sobre o tema. Possíveis mudanças vão vigorar a partir do segundo processo seletivo de 2014.

*Ana Pompeu é jornalista do jornal diário de Brasília, Correio Braziliense

Extraído de Vermelho


sábado, 16 de março de 2013

Índios de reserva de vagas se formam na UFSCar

Dois índios do programa de reserva de vagas se formam na UFSCar

Eles são os primeiros a se formar desde a criação do projeto em 2008.
Formandos falaram sobre a importância da conquista para os indígenas.

Do G1 São Carlos e Araraquara
13/03/2013 21h59

Dois indígenas se formaram, nesta quarta-feira (13), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Eles são os primeiros índios graduados dentro do programa de reserva de vagas que teve início em 2008.

Edinaldo Xukuru do Orubá saiu de Pernambuco para cursar psicologia e, antes mesmo de se formar, foi convidado a participar do Conselho Estadual. “Tem um grupo que discute a aproximação da psicologia com as questões indígenas. A partir daí pensar numa aproximação responsável e que mais uma vez não cause danos às comunidades indígenas”, disse.

Segundo ele, a formatura é uma grande conquista dos povos indígenas. “Nós temos poucos indígenas formados no ensino superior e existe uma grande demanda de profissionais nas comunidades”, explicou.

Agenor Custódio Terena, que é do Mato Grosso do Sul, é o primeiro indígena do país a se formar no curso de Imagem e Som. Ele pretende agora contar a história da aldeia de onde veio com um documentário. “Tenho a história escrita, mas esse audiovisual ainda não tem. Isso pode ajudar a divulgar a cultura do meu povo. Eu também quero fazer pós-graduação, me aprimorar mais antes de voltar para lá”, disse.

Em cada um dos 58 cursos oferecidos na UFSCar, uma vaga é para indígenas.  Hoje, são 80 indígenas estudando nos três campi. “É a concretização de uma política que se estabeleceu na comunidade universitária, em benefício da presença da população brasileira e sua diversidade na universidade e na produção de conhecimento”, afirmou a coordenadora de ações afirmativas, Roseli Rodrigues de Mello.

A conquista dos indígenas é uma inspiração para os outros que ainda estão em busca do diploma. “A gente se inspira mais ainda, vendo eles se formando, vendo que eles foram capazes de se formar, a gente também é capaz de chegar lá também”, afirmou o estudante Marconde de Sousa.

Fonte G1

Pesquisa derruba mito sobre cotas

Pesquisa da UFABC derruba mito sobre cotas

Natália Fernandjes - Do Diário do Grande ABC

10/03/2013 07:30:00

O desempenho acadêmico de estudantes da UFABC (Universidade Federal do ABC) ao longo dos anos indica que o sistema de cotas - que reserva 50% das vagas para estudantes oriundos de escolas públicas - não interferiu negativamente na qualidade do Ensino Superior público.

Apesar de os cotistas apresentarem mais dificuldades no aprendizado, principalmente nos primeiros anos da graduação, levantamento realizado em 2011 mostra que o êxito médio de todos os discentes, mensurado pelo CR (Coeficiente de Rendimento) que varia de zero a cinco, é considerado satisfatório. De acordo com a pesquisa institucional, os 4.855 estudantes entrevistados têm desempenho médio de 2,06. Na universidade (para que os alunos tenham acesso a bolsas de incentivo) é preciso obter CR a partir de 2.

Quando avaliadas separadamente, no entanto, as notas dos dois grupos mostram que cotistas têm mais dificuldade em aprender. O CR geral dos alunos que cursaram Ensino Médio em escolas públicas fica em 1,99, enquanto que a nota dos jovens formados nas escolas particulares é 2,11. A disparidade, no entanto, não interfere na média geral da universidade.

A instituição federal foi pioneira no País em praticar a reserva de vagas desde seu primeiro vestibular, em 2006. Em outubro, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei de Cotas, por meio da qual todas as instituições federais de Ensino Superior devem adotar o esquema.

Na UFABC, o ingresso de 1.900 estudantes é feito pelo SiSU (Sistema de Seleção Unificada), que utiliza apenas as notas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como critério de seleção. A universidade tem hoje cerca de 7.200 estudantes, sendo 3.300 cotistas.

A análise do desempenho destaca ainda que o desnível dos alunos, em razão da debilitada formação básica, é evidenciado no ingresso à universidade a partir da comparação das notas do Enem. Estudantes cotistas apresentam notas 4% menores do que não cotistas. No SiSU de 2012, por exemplo, aqueles que tiveram benefício do sistema de cotas apresentaram nota média de 662 pontos, contra 691 dos jovens formados em escolas privadas.

Para o pró-reitor de Graduação da UFABC, Derval dos Santos Rosa, os dados mostram que o sistema de cotas é a melhor proposta para a inserção dos jovens que cursaram Ensino Médio em instituições públicas de Ensino Superior. "Nossos cursos continuam sendo reconhecidos e figuram entre os mais conceituados do País."

Passado o vestibular, é preciso que a instituição adote práticas que garantam a permanência do aluno, avalia o pró-reitor. Além de ações de inserção e acolhimento, o projeto pedagógico precisa ser adaptado - o estudante tem flexibilidade para escolher o número de matérias que deseja cursar.

Dedicação é segredo para o sucesso

O rendimento acadêmico ligeiramente inferior por parte dos alunos cotistas mostra que os dois grupos de estudantes não encontram as mesmas dificuldades ao longo da vida acadêmica. Pelo lado dos oriundos de escolas públicas, há necessidade de dedicação em dobro ou triplo aos livros para alcançar CR (Coeficiente de Rendimento) satisfatório.

"Tive que estudar o triplo dos meus colegas que vieram de escola particular para ter boas notas no primeiro ano", conta Thabata Pinho Müller, 20 anos, aluna do curso de BC&T (Bacharelado em Ciências e Tecnologia) e cotista no campus Santo André.

Natural de Americana, no interior do Estado, a jovem diz que a adaptação quanto ao ritmo de estudos levou cerca de um ano. "Além de não ter aprendido alguns conteúdos no ensino público, é difícil tirar notas baixas e não desanimar", destaca. Para manter o CR acima de 2 é preciso de, no mínimo, oito horas de estudo diário.

A ideia de Thabata é se formar em, no máximo seis anos, e para isso recebe ajuda dos pais. "O combinado é que me esforço aqui e eles lá para que eu não precise trabalhar", comenta.

Basta olhar para o lado para se deparar com pessoas que acabam desistindo do curso, comenta a estudante de BC&H (Bacharelado em Ciências e Humanidades) do campus São Bernardo Natasha Almeida Macedo, 18. "Na minha sala muita gente trancou a matrícula no primeiro ano". Para quem trabalha, a dificuldade é pior. Segundo ela, a maior parte do processo de aprendizado não é feita em sala de aula. "O professor está lá para complementar e debater os temas, mas é preciso preparação da aula antes e rotina de estudos em casa", observa.

Defensora do sistema de cotas, Natasha explica que a área de exatas é a principal dificuldade daqueles que estudaram na rede pública. "Infelizmente não tivemos essa base, então precisamos recuperar nos esforçando mais", completa.

Cotistas são minoria entre estudantes que concluem graduação

Beneficiados com metade das vagas destinadas aos ingressos no vestibular da UFABC, estudantes cotistas representam minoria entre os formados. Levantamento da instituição mostra que o número de alunos oriundos de escolas públicas que concluíram o Ensino Superior até 2012 é 34% menor do que o de jovens que cursaram o Ensino Médio na rede privada. Dos 734 estudantes formados até o ano passado, 292 são cotistas e 442 não.

Para o professor do curso de Políticas Públicas da UFABC, cotistas levam mais tempo para concluir a graduação porque, além de enfrentarem mais dificuldades, muitos precisam trabalhar e, com isso, diminuir o número de matérias cursadas por quadrimestre. "Ainda consideramos cedo para fazer essa análise porque os jovens têm até sete anos para terminar o curso e a universidade tem apenas seis anos", pondera.

O tempo que levarão para se formar não é a principal preocupação dos alunos. Pelo contrário. Para eles o que vale é ter a certeza de que estão preparados, comenta o estudante cotista de BC&T Ivan Makino, 21 anos. "Lógico que pretendo me formar em até seis anos, mas não adianta acelerar o tempo da graduação e perder em aprendizado", destaca. Apesar de ainda não precisar trabalhar, o jovem reafirma a vontade de ingressar em estágio no próximo ano.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dez anos da lei de Cotas Raciais no Brasil

Dez anos da lei de Cotas Raciais no Brasil

O sistema de reserva de vagas para negros em universidades públicas completa uma década de polêmica.

Gustavo Cidral - 26/09/2011

O sistema de cotas para os que se consideram negros e pardos ingressarem nas instituições públicas de ensino completa uma década de existência no Brasil. A primeira lei, a 3.708/01, foi implantada no Rio de Janeiro, e assegurou 40% das vagas aos estudantes afrodescendentes em escolas de ensino superior do Estado.


Hoje, são cerca de 110 mil cotistas negros em 32 universidades estaduais e 38 universidades federais de todo o país. Para ser beneficiado com o sistema de cotas, o aluno deve se declarar como negro ou pardo e provar com fotos anexadas à matrícula.

As cotas são ações que visam dar oportunidades a grupos menos favorecidos na sociedade ou que tenham sido prejudicados no passado. A cota racial, especificamente, é uma compensação que o Estado oferece aos afrodescendentes pelos maus tratos sofridos pelos seus antepassados na história do país.
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, em 2006, mostra que 65% dos brasileiros são favoráveis à reserva de um quinto das vagas nas universidades para negros e descendentes. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada em 2009 pelo IBGE, 50,6% dos brasileiros se declaram pretos e pardos.

Análise positiva
Os dez anos de existência do sistema de cotas raciais para ingresso em universidades públicas brasileiras foi tema de debate no último dia 19, em Brasília. Senadores, militantes e especialistas, membros da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, concluíram que, depois de uma década, a ação se mostrou “bem sucedida, ao promover significativa e relevante inclusão da população negra brasileira no ensino superior público”. A informação é da agência Senado.

Para os participantes, as ações são “um instrumento legítimo para a busca da ‘igualdade material’ preconizada pela Constituição de 1988”. No encontro, o diretor-executivo da organização não governamental Educafro, frei David Santos, afirmou que o sistema de cotas “não aumentou o racismo nas universidades e a qualidade acadêmica não foi prejudicada”. Baseado em pesquisas, Santos também disse que o desempenho acadêmico dos cotistas não é inferior ao dos não cotistas.

Resultado ainda longe do ideal


Dentre as ações afirmativas, a cota racial, por ser a mais polêmica, ajudou a promover o debate. O fato é positivo, segundo o coordenador do departamento de educação do Moconevi (Movimento da Consciência Negra do Vale do Itapocu), Luís Fernando Olegar, 41 anos. Para ele, a medida gerou discussão e possibilitou a troca de informações.

Luís Fernando considera o preconceito contra afrodescendentes e o sistema de cotas resultado da falta de informação. “As pessoas não têm acesso à educação de forma igualitária”, explica o diretor, que já trabalhou em duas instituições em bairros de classes sociais bem diferentes. “Enquanto as crianças de uma escola tinham em casa acesso à internet, TV a cabo, viajavam para outras cidades e conheciam lugares dos quais tinham aprendido na sala de aula, as outras só tinham como o passeio do ano uma ida ao shopping, quando a escola as levava”, conta.

Para o professor, as cotas raciais são um “reparo necessário, um caminho inverso ao mal feito aos negros ao longo da história do Brasil”. O educador entende o argumento de alguns grupos, inclusive da própria comunidade afrodescendente, sobre a importância de cotas para os menos favorecidos economicamente e não somente para os de cor escura. Porém, ele acha imprescindível o benefício para os negros devido ao racismo. “Os negros sofrem preconceito não pela classe social ou pelo currículo. Na hora de uma entrevista para emprego, o fenótipo é o que conta. As pessoas são escolhidas pelo que mostram, pela cor e pelos traços”, defende.

Segundo o educador, quanto maior o nível de formação acadêmica do negro, mais ele sofre racismo. “O peso é maior. Há mais cobrança para os que não tinham vez, principalmente os cotistas”, afirma. “As cotas permitem a ascensão social de um grupo étnico cuja maioria não tem oportunidade de crescer na vida”.

A falta de representatividade


Além do desenvolvimento social dos afrodescendentes, o coordenador considera a visibilidade um fator importante na luta contra o racismo. “Se a criança não vê professores, médicos, empresários, enfim, pessoas bem sucedidas da mesma cor, ela aprende que aquilo é normal e cresce inconscientemente com um sentimento de inferioridade” explica. “Você não se enxerga, não se sente representado”.

Apesar de toda a mobilização dos movimentos que lutam pelos direitos de igualdade dos afrodescendentes, a disseminação de sua cultura e a formação de lideranças, para Luís Fernando, a mudança social foi pequena após uma década de cotas raciais. O professor dá um exemplo da discriminação em exercícios feitos em sala de aula com os alunos: “há dez anos, pedia para as crianças procurarem em revistas pessoas negras. Encontravam poucas. Hoje, fico assustado aos constatar que isso não mudou”, conta. “Mesmo os pretos e pardos serem praticamente metade da população brasileira, a representatividade na mídia ainda é muito pequena”.

Luís Fernando espera que um dia as cotas raciais, e qualquer tipo de cota, não sejam mais necessárias. “O ideal é que deixem de existir e todos vivam em condição de igualdade”, conclui.

Cotas em Jaraguá do Sul


O único local que aplica o sistema de cotas raciais em Jaraguá do Sul é o IF-SC (Instituto Federal de Santa Catarina). Desde 2009, os campus Jaraguá do Sul e Geraldo Werninghaus, receberam 15 alunos cotistas. Porém, cerca de um terço desistiu. Os cotistas são hoje em torno de 1% do total de estudantes e ainda não preenchem os 10% das vagas exigidas pelo MEC a pessoas que se declaram pretas ou pardas em Jaraguá. O processo ocorre a cada semestre, junto com o processo seletivo regular.

Extraído de O Correio do Povo - Jaraguá do Sul-SC


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Universidades públicas BR: 110 mil cotistas, em 10 anos

Universidades públicas do Brasil já possuem 110 mil alunos cotistas

Ter, 20 de Setembro de 2011 03:31

O Senado Federal debateu nesta segunda-feira, 19 de setembro, os dez anos de implantação de sistemas de cotas raciais no ensino superior, que começou em 2001, voltada para as universidades estaduais do Rio de Janeiro. Segundo levantamento da ONG Educafro, 110 mil negros foram beneficiados pelos sistemas de cotas e tiveram acesso a universidades públicas do país nesses anos. Para os participantes do debate, as ações afirmativas mostraram-se bem-sucedidas ao promover a inclusão significativa da população negra no ensino superior público.

O reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Sousa Junior, fez parte da mesa de discussão.

A UnB foi a primeira universidade federal a implantar o sistema e recebeu homenagens pelo pioneirismo durante o debate. Para o reitor, a UnB tem o mérito de ter construído a própria política, que garante 20% das vagas para estudantes negros desde 2004. "Não dependeu de determinação externa, nem de leis. Foi uma criação da própria comunidade", ressaltou. "A UnB já possui 5.396 alunos negros que ingressaram no vestibular por meio do sistema de cotas e o que se verifica é que a diferença entre as notas dos estudantes cotistas e não-cotistas é percentualmente insignificante". José Geraldo ressaltou ainda que a evasão entre os cotistas é menor. "A universidade ficou mais colorida depois que adotou o sistema".  

O reitor destacou a identidade étnica da Universidade de Brasília, que acredita “ser mais fiel ao o recorte social amplo”. “Do ponto de vista cultural, a UnB ganhou relevância temática nas discussões e nos temas que circulam no ambiente acadêmico”, pontuou. “Nós, com isso, realizamos uma projeção de presença na sociedade de um contingente que contribui pra o desenvolvimento e que, antes, estava excluído dessa participação”.

Estavam presentes também os senadores Paulo Paim (PT-RS), Marinor Brito (PSOL-PA) e Paulo Davim (PV-RN), o diretor-executivo da Educafro, Davi Santos, a secretária de Políticas Afirmativas da Presidência da República, Anhamona Silva de Brito, a diretora de Gestão Acadêmica da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), Elisângela Moreira da Costa, o secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa.

Luiz Cláudio Costa manifestou apoio às ações afirmativas e demonstrou a preocupação do MEC em manter esses estudantes nas universidades, com a destinação de R$ 505 milhões por ano para políticas de assistência estudantil. Segundo o secretário, o ensino superior do Brasil forma atualmente um milhão de pessoas por ano, 700 mil a mais do que em 2002, quando a marca era de 300 mil formados.

A diretora de Gestão Acadêmica da Unemat, Elisângela Patrícia Moreira da Costa, afirmou que a instituição já nasceu "com a marca da inclusão", porque surgiu em 1978, no interior do estado, como Instituto de Ensino Superior de Cáceres. Virou universidade em 1993 e adotou o sistema de cotas a partir de 2004. Segundo a diretora, a universidade acompanha o desenvolvimento dos cotistas desde a inscrição no vestibular até a formatura.

Quando a mesa abriu o debate para o público, a militante do movimento negro Solange Aparecida Ferreira de Campos, a primeira brasileira beneficiada com bolsa do Prouni, relatou a experiência dela com as cotas. Solange entrou para o curso de Gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi, uma instituição privada, quando já tinha 45 anos, e formou-se em 2008. Na opinião dela, é obrigação dos governantes brasileiros apoiar o acesso à educação da população negra. "Nossos ancestrais negros deram o sangue por esse país", afirmou. "Se tivemos força para levar chibatadas nas costas, também temos força, competência e capacidade para ocupar qualquer cargo e exercer qualquer atividade e trabalho".

Com informações da Agência Senado.
UnB Agência


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Reitora da UFBA: a política de cotas foi acertada

Reitora da UFBA pretende trocar vestibular por Enem

Socióloga avalia seu primeiro ano à frente da universidade
Salvador, 19 de agosto de 2011


Reitora avalia primeiro ano de gestão e fala sobre projetos
Lais Vita | Redação CORREIO
lais.vita@redebahia.com.br


Consolidar e inovar. Defendendo o slogan da campanha realizada em 2010, a professora e socióloga Dora Leal Rosa chegou ao cargo de reitora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no qual está completando um ano.

Reconhecida pela comunidade acadêmica pelo caráter técnico de sua gestão, Dora admite as dificuldades desse primeiro ano de gestão, mas se diz otimista quanto a 2012. “Tenho certeza que teremos ainda mais avanços”, diz.

Para a reitora, esse primeiro ano frente à UFBA foi de aproximação da equipe com os problemas da universidade e consolidação da gestão anterior, de Naomar Almeida. “Não vamos suspender o que está em andamento ou já estava negociado para ser implementado”, afirma.

Em entrevista ao CORREIO, Dora fala sobre o que foi e o que será do seu mandato como reitora, da segurança nos campi e das novidades no ingresso à universidade no próximo ano, que deve ser feito pelo Enem.

A gestão da senhora é vista pela comunidade universitária da UFBA como mais técnica e menos política que a anterior. A senhora concorda?

Talvez por causa da minha origem na pró-Reitoria de Planejamento e Administração eu tenha trazido isso para minha experiência na Reitoria. Mas nenhum gestor é puramente político ou puramente técnico. Talvez o que esteja distinguindo a minha gestão da do professor Naomar é que eu tenho conduzido as questões administrativas da universidade e as tenho acompanhado. Há essa dimensão técnica, certamente.

O maior projeto do ex-reitor era o Reuni, que foi aprovado em 2007 e implantado em 2008. As metas de expandir a universidade e aumentar o número de vagas estão sendo alcançadas?

Não, não completamos ainda todas as metas porque o Ministério da Educação (MEC) também não conseguiu nos dar todas as condições de infraestrutura para que nós as atingíssemos. Não foram liberados todos os cargos docentes que estavam previstos e nem os cargos técnicos, além dos cargos de direção, que o MEC havia assegurado que liberaria.

Em setembro de 2010, o CORREIO publicou uma matéria sobre o início do semestre na UFBA. Nesse período, muitos alunos acabaram perdendo disciplinas porque não havia professor. Aumentou o número de vagas, mas não foram contratados professores suficientes. Isso pode voltar a acontecer?

Realmente, foi um começo de semestre muito difícil. Fizemos concurso em janeiro e fevereiro e estamos fazendo de novo agora para preencher 300 vagas de cargo docente. Em 2011, essa questão foi minimizada, mas não foi totalmente resolvida. Nós temos problemas exatamente porque, como mencionei, as vagas de docentes do MEC não foram disponibilizadas na sua integridade. Tivemos problema nesse primeiro semestre, em menor grau, e, se tivermos problemas agora, em 2011.2, certamente serão ainda menores.

As cotas completaram sete anos este ano. Em 2014, devem ser reavaliadas. Como a senhora avalia a evolução da política?

Em primeiro lugar, foi uma política acertada. A nossa universidade acertou em assumir destinar grande parte das suas vagas ao egresso da escola pública. É importante dizer que a nossa política coloca como primeira variável o egresso pela escola pública e a segunda para afrodescendentes. Uma outra observação é que os estudantes que ingressaram na universidade através dessa política têm se saído muito bem nos seus estudos. Agora, como os nossos conselhos superiores vão avaliar essa política, nós já estamos levantando esses elementos. Temos um grupo de avaliação institucional que deve conduzir os estudos. De posse deles, vamos encaminhá-los ao conselho universitário. Teremos dados que vão permitir decidir sobre a continuidade das cotas.

As cotas foram a primeira grande ação de políticas afirmativas na universidade, mas uma crítica vinda de dentro da própria UFBA é a falta de programas de permanência, de assistência estudantil. Há projetos ou planejamentos encaminhados para ampliar essa política?

Sim, nós estamos ampliando o programa de permanência, mas também temos outros projetos. Há diferentes programas de iniciação científica, com bolsas. Temos também a ampliação dos programas de residência, que não permite somente que o estudante more nas residências universitárias, mas ganhe também a bolsa. Temos os programas que permitem aos estudante carentes se alimentar no restaurante universitário a custo zero. Não é ainda na dimensão que nós gostaríamos, mas estamos avançando. A situação das residências estudantis é também um outro ponto muito criticado.

Estamos finalizando uma nova residência na (avenida) Garibaldi. Lá, os estudantes estarão em pequenos flats, com cozinha, tanque, sala de estudo, dois quartos, com capacidade de quatro pessoas por flat. Faltam apenas pequenos arremates para que a construção seja aceita. Ela deve receber 200 estudantes. Paralelo às residências, temos o auxílio-moradia, que muitos estudantes preferem receber e morar em outro local.

A UFBA já sinalizou estar discutindo a implementação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no vestibular de 2013. Já há alguma definição?

Nós compreendemos que o Enem é algo muito importante para a educação brasileira, e encaminhamos ao conselho acadêmico de ensino uma proposta de que a primeira fase do nosso processo seletivo se desse por meio dele. O conselho acadêmico acolheu a proposta, mas entendeu que não deveria implementá-la este ano. Esperamos que o ingresso para 2013 tenha o exame como primeira fase do processo. Eu acho que isso valorizaria o ensino médio e o estudante poderia focar na área específica para a segunda fase, que continuaria igual.

Existe a proposta do Busufba, ônibus que levaria os alunos entre os campi no horário das aulas. Como está o projeto?

Fiz solicitação à prefeitura, quando firmamos um protocolo de cooperação em maio deste ano e levamos essa demanda. Fiz também a solicitação de uma passarela no Vale do Canela, ligando a Faculdade de Educação ao ICS, do outro lado. Argumentei que se tivesse uma passarela poderia-se tirar a sinaleira e o tráfego fluiria melhor. Mas não tive retorno ainda. Estamos estudando algumas novidades para 2012, como um bondinho ligando a Politécnica (na Federação) ao campus de Ondina, por exemplo.

A segurança é um problema da universidade, que tem suas dificuldades criadas também pela estrutura, em especial no campus de Ondina, que tem um perímetro muito amplo e zonas não construídas. O que está sendo feito pra resolver isso?

Nós ampliamos a vigilância eletrônica - temos hoje 400 câmeras dentro dos nossos campi de Salvador. Na pró-Reitoria da Administração temos uma central de monitoramento em que a gente pode mapear todos os dois campi - Ondina e Canela -, e ampliamos o numero de vigilantes. Também fizemos investimento no campus, desmatamos, abrimos trilhas. Isso tudo traz segurança. Além disso, a segurança ultimamente está circulando, com carros, dentro do campus, para dar cobertura em casos de possíveis assaltos que não tivemos e espero que não tenhamos. Pelos registros que tenho, este ano só tivemos o episódio da Faculdade de Comunicação (um laptop roubado) e em frente à Faculdade de Odontologia (violência contra estudantes). Não tivemos muitas, mas não queremos ter nenhuma.

________________________

Enem quer dificultar criação de ranking de escolas

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, divulgou ontem que vai alterar a forma de divulgação dos resultados do exame, de forma a dificultar que seja criado um ranking de escolas. De acordo com a presidente do órgão ligado ao Ministério da Educação, Malvina Tuttman, as notas do exame de 2010 serão divulgadas levando em consideração o número de alunos inscritos por escola.

“Apresentamos a proposta ao ministro da Educação (Fernando Haddad). Queremos dificultar o ranqueamento. Somos contra a prática. O Enem não deve ser usado como propaganda”, disse. A presidente do Inep não explicou como será a divulgação. O resultado estava previsto para julho mas, por essa mudança, será anunciado em setembro.

O Inep divulgou ontem que para confeccionar os 5,3 milhões de provas do exame em 2011 gastará R$ 238,5 milhões - R$ 45 por aluno. Além disso, ainda tem gastos com Correios (R$ 4,11 por candidato); gráfica (R$ 6,80), e repasse de R$ 8 milhões para Secretarias da Segurança dos estados e Exército.

Referência para transplantes

Na trilha do próximo tema do Agenda Bahia, Inovação, a Universidade Federal da Bahia (UFBA), uma das parceiras do evento, oferece serviços pioneiros no estado. O Hospital das Clínicas, da universidade, é o único, na Bahia e em Sergipe, que faz transplantes de medula óssea gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O transplante é uma arma terapêutica muito poderosa no tratamento de doenças hematológicas, como o linfoma e a leucemia”, explicou a professora da UFBA e chefe do serviço de onco-hematologia do hospital, Glória Bonfim.

“Somos também o único hospital do estado que oferece tratamento integral para esses pacientes. Isso é motivo de orgulho para a equipe”, conta. A unidade de transplantes, que está sob a coordenação do médico Marco Aurélio Salvino e completou um ano em agosto, realiza hoje cinco procedimentos desse tipo mensalmente e já transplantou, desde sua fundação, 40 pacientes, tendo 95% de sucesso nesses casos. “Tivemos dois óbitos devido à progressão da doença e não ao procedimento”, afirma Glória.

A enfermaria do centro conta com 23 leitos, cinco deles dedicados exclusivamente aos pacientes transplantados. “Este é o único serviço de alta complexidade oferecido pelo estado. Antes de realizarmos ele, os pacientes tinham que ir para outras cidades, como São Paulo e Curitiba, para finalizar o tratamento”, lembra a médica, que comemora também a implantação do primeiro banco de cordão fetal do estado, usado como fonte de células-tronco. “No Brasil existem nove desses bancos. O projeto feito com o Ministério da Saúde já está em fase de finalização e, depois de iniciadas as obras, teremos o banco em dois anos”, disse


domingo, 31 de julho de 2011

PR-Londrina - Reitora da UEL mantém posição favorável às cotas


Reitora da UEL mantém posição favorável às cotas
29/07/2011 - 15h54


UEL - Universidade Estadual de Londrina. O atual sistema, em vigor desde 2005, estabeleceu a reserva de 40% das vagas dos cursos de graduação, ofertadas em concurso vestibular, para estudantes oriundos de escolas públicas; sendo que até metade destas vagas são reservadas a candidatos que se autodeclaram negros.

A revisão desta política será debatida e aprovada pelos 52 membros do Conselho Universitário, em reunião agendada para o dia 26 de agosto (2011). Este procedimento já era previsto pela resolução 78/2004, que institui em seu artigo 4º a reserva de vagas pelo período de sete anos letivos, de 2005 a 2011.

Na reunião de hoje (29/07/2011), os conselheiros aprovaram por unanimidade o relatório final da comissão que operacionalizou, desde março deste ano, diversas atividades relacionadas à discussão, debates e encaminhamentos ligados à política de cotas na Universidade. As propostas da comunidade universitária (enviadas por meio de seus representantes no Conselho Universitário) sobre o tema, para serem apreciadas na próxima reunião do Conselho, deverão ser encaminhadas à Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) até 15 de agosto.

"Gostaríamos que todos os estudantes chegassem aos nossos vestibulares em iguais condições de preparo e competição, mas isto infelizmente ainda não é possível em nosso País. Por isto, nossa administração defende a prorrogação do sistema de cotas por mais cinco anos. Ao fim deste ciclo de 12 anos, teremos melhores condições de avaliação do sistema, dos pontos de vista quantitativo e qualitativo", comentou a reitora Nádina Moreno. Ela explicou que não havia explicitado anteriormente a posição desta administração para não influenciar e nem pressionar os diferentes setores da comunidade universitária, que desde março debatem o sistema de cotas.

A reitora ressaltou aos conselheiros que o (1) sistema de cotas será inserido na tradição de políticas e ações que a UEL tem desenvolvido ao longo dos 40 anos de sua existência, citando como exemplos a (2) moradia estudantil, (3) a oferta de bolsas para alunos de baixa renda, e (4) o curso pré-vestibular gratuito.

Extraído de Bonde

domingo, 5 de junho de 2011

Cotas e programas de apoio derrubam mitos

Pelo direito de aprender

Cotas e programas de apoio derrubam mitos e levam educação e futuro a milhares de jovens. C e D já são maioria na universidade

05.06.11 às 00h37 – O Dia online por Élcio Braga


Rio - A resposta simples e desanimadora mudou destinos. Início de 1990, salão da Igreja da Matriz, em São João de Meriti: cem jovens negros e carentes falavam sobre a fé. Por curiosidade, frei David Raimundo dos Santos perguntou quantos queriam fazer faculdade. "Apenas dois irmãos confessaram a intenção, obrigados pela mãe, agraciada por bolsas na instituição em que trabalhava como servente", lembra.

O episódio levou à criação da Educafro, influente entidade empenhada na democratização do acesso à faculdade pública. A ideia tornou o Rio mais justo e se espalhou pelo Brasil. Nos últimos cinco anos, mais negros entraram na universidade do que em todos os séculos anteriores somados.

Multidão de carentes passou a enxergar brecha no muro da faculdade. Política de cotas, pré-vestibulares comunitários e Programa Universidade para Todos (ProUni), do Governo Federal, criaram novo cenário. As classes C e D se tornaram maioria na universidade: 72,4%. “Diziam que eu, merendeira, filha de lixeiro, não podia fazer faculdade”, conta Therezinha Mello, 71, formada há seis em Serviço Social.

Contrários à ideia argumentavam que cotistas não conseguiriam acompanhar a turma. Pesquisa entre 2003 e 2006 mostrou desempenho do cotista superior em 29 dos 48 cursos na UERJ. "A minha grande alegria é que as cotas derrubaram a máscara das universidades públicas brasileiras", diz Frei David.

Fonte O Dia online


sábado, 30 de abril de 2011

Desempenho de alunos-as das ações afirmativas mostram sucesso acadêmico

Estudos comparam desempenho de alunos beneficiados por ações afirmativas e mostram como vários obtêm sucesso acadêmico

Há uma novidade no debate so­bre os programas de ação afir­mativa para ingresso no en­sino superior brasileiro.

Um conjunto de estudos acadêmicos sobre o desempenho dos es­tudantes beneficiados, notadamente egressos de escolas públicas e grupos étnicos socialmente desfavo­recidos, começa a avaliar a eficiência das iniciativas adotadas por mais de 40 universidades brasileiras.

Os programas se dividem em dois grandes grupos. De um lado há os sistemas de cotas, que em geral reservam porcentuais de vagas nos processos seletivos para alunos pobres e/ou negros e índios. Inaugurados entre 2002 e 2003 em universidades estaduais do Mato Grosso do Sul e do Rio de Janeiro, hoje vigoram em dezenas de instituições, sobretudo universidades federais.

De outro há um sistema de bonificação de pontos no vestibular para alunos de escolas públicas e também os autodeclarados negros, pardos e indígenas, instituído em 2004 pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e adotado, com variações, pela Universidade de São Paulo (USP), pelas universidades federais Fluminense (UFF), do Rio Grande do Norte (UFRN) e de Pernambuco (UFPE) e pelas faculdades de tecnologia paulistas, as Fatecs. Tal sistema não estabelece uma quantidade mínima de vagas, mas amplia as chances de ingresso desses grupos via vestibular.
Do ponto de vista do desempenho dos alunos, os resultados mais expressivos foram os obtidos no sistema da Unicamp. Um artigo publicado em edição recente da Higher Education Management and Policy, publicação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apresenta os dados que embasaram a criação da bonificação de pontos e também seus primeiros resultados. O estudo mostra que para os estudantes que entraram na Unicamp entre 1994 e 1997 aqueles oriundos de escolas públicas tiveram desempenho acadêmico superior aos egressos de colégios privados, considerando-se para ambos os grupos jovens que entraram na universidade com notas no vestibular na mesma faixa. O fenômeno, chamado de “resiliência educacional”, é conhecido dos educadores e indica a capacidade do aluno de obter sucesso acadêmico e social apesar da exposição a adversidades pessoais e sociais.

Entre as explicações possíveis destaca-se o traquejo especial dos alunos pobres, porém bem formados, para enfrentar situações desfavoráveis, uma qualidade valiosa no ambiente competitivo de uma universidade de pesquisa que nem sempre é compartilhada com os colegas de classe média, em geral poupados das adversidades por suas famílias.

As evidências sobre esse comportamento ajudaram a moldar o Paais (Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social), que a partir de 2004 passou a beneficiar com 30 pontos os egressos de escolas públicas e em mais 10 pontos os negros e índios – esse bônus é aplicado sobre um referencial de 500 pontos, atribuído à média do desempenho de todos os alunos em cada prova. A escolha dessa faixa de pontuação não foi casual. Trata-se de uma espécie de zona de empate técnico do vestibular, dentro da qual a oscilação de desempenho dos candidatos não indica propriamente uma vantagem – caso os mesmos candidatos submetam-se a sucessivos exames, suas colocações costumam variar dentro dessa área cinzenta. A idéia, portanto, era privilegiar alunos de escolas públicas, negros e índios apenas como critério de desempate dentro de uma amostra de candidatos com rendimentos acadêmicos muito semelhantes. “O que os nossos dados mostravam é que, para além da questão da inclusão social e da promoção da diversidade, essa fórmula também interessava à Unicamp do ponto de vista acadêmico, uma vez que historicamente os alunos oriundos da escola pública apresentavam um desempenho crescente em relação aos do ensino privado com nível equivalente de conhecimento”, diz Renato Pedrosa, autor principal do artigo e professor do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) da Unicamp.

Em 2005, primeiro ano de implantação do programa, a admissão na Unicamp de alunos oriundos de escolas públicas cresceu de 29,6% do total para 34,1%. E a participação não se limitava aos cursos de baixa procura, como é habitual. Trinta e quatro dos 110 estudantes admitidos nos cursos mais seletivos, como o de medicina, vieram do ensino público. O ingresso de negros e índios cresceu 44% em relação aos 2 anos anteriores, subindo de 10,9% para 15,7% do total – um índice, porém, ainda abaixo dos 23% de matri­culados do ensino médio do estado de São Paulo que pertencem a essas etnias

O dado mais significativo foi o desempenho dos egressos de escolas públicas no primeiro ano de faculdade. No ranking do vestibular, eles tiveram médias superiores às de colegas formados em escolas privadas em apenas quatro dos 56 cursos. Mas, ao cabo de 1 ano de estudo, as médias desses mesmos jovens já eram superiores em 31 dos cursos quando comparados ao grupo vindo do ensino particular. No curso de medicina os egressos da escola pública tiveram 7,9 de média, enquanto a nota de seus colegas ficou em 7,6. Re­sultados preliminares do ano de 2006 e 2007 indicam rendimento equivalente. “Do ponto de vista da formulação de polí­ticas públicas, nossa abordagem é uma clara alternativa aos sistemas de cotas adotados por muitas universidades, pois desenvolve um novo conceito de mérito que beneficia estudantes de alto potencial e garante a diversidade no ambiente acadêmico”, diz Renato Pedrosa.

Fonte: Revista Pesquisa Fapesp

Extraído de PRP.UEG

Ação Afirmativa na UNICAMP

OECD-iLibrary


quinta-feira, 14 de abril de 2011

UFABC tem 76% dos alunos nas classes C e D

UFABC tem 76% dos alunos nas classes C e D

14/04/2011 07:02:00

Camila Galvez - Do Diário do Grande ABC

A maioria dos alunos da UFABC (Universidade Federal do ABC) vem de famílias que fazem parte das classes econômicas C e D. Esse é um dos principais resultados de pesquisa realizada com 3.812 alunos em 2010, número equivalente a 91% dos 4.184 matriculados.

A renda familiar média desses estudantes, segundo a pesquisa, é de R$ 4.150, valor 23% superior à média registrada em pesquisa de 2009. Em contrapartida, cerca de 30% dos alunos afirmaram ter carro próprio, o que poderia indicar famílias com renda maior.

Segundo o cientista político e professor da UFABC Sidney Jard da Silva, a balança é saudável e reflete a política de cotas adotada pela instituição. A UFABC oferece metade de suas vagas para alunos que estudaram a vida toda ou a maior parte dela em escola pública. Destas, 29% são destinadas para negros (pretos e pardos). "Essa política reforça a diversidade entre os alunos", destacou.

A pesquisa revela outro dado em relação às cotas: o rendimento dos alunos cotistas e não cotistas sofre pouca variação. "Isso tira o estigma que existe na sociedade de que o aluno cotista tem desempenho pior em relação aos demais alunos da graduação", destacou Silva.

NEGROS

Apesar de reforçar a política de cotas da instituição, apenas 10% dos alunos que ingressaram pelo recurso em 2010 se declararam negros e pardos.

Para o professor da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) Pedro Chadarevian, convidado para comentar a pesquisa, o número ainda está aquém até mesmo do proposto pela universidade, que é de 29%. "Os países que adotam ações para estimular o ingresso de minorias na universidade reduzem as desigualdades sociais. Esse é um desafio para a UFABC."

Silva explicou que, apesar do número baixo de cotistas, a universidade se aproxima da meta por ter cerca de 20% de alunos que se declaram negros. "Há uma disparidade aí que precisa ser analisada. Negros estão ingressando na universidade fora do sistema de cotas", destacou.

Para Silva, muitos fatores podem levar a esse quadro. O primeiro deles também está evidenciado na pesquisa: 75% dos alunos da instituição são a favor da cota social, 25% da cota mista (social e racial) e menos de 1% a favor da cota racial.

"Diante desses números, pode ser que os negros prefiram ingressar pelo sistema universal para provar que são capazes", avaliou.

Maioria dos alunos ainda é da Capital

Na UFABC (Universidade Federal do ABC), cerca de 35% dos matriculados em 2010 são moradores da região, contra cerca de 40% que vivem na Capital. O número registrou pouca alteração em relação ao levantamento de 2009.

O cientista político Sidney Jard da Silva acredita, no entanto, que o dado não é motivo para afirmar que a instituição não beneficia o Grande ABC. "Estamos no Grande ABC e somos do Grande ABC. Mas a proximidade com a Capital e a necessidade de alternativas a outras instituições de ensino público acabam atraindo alunos da cidade de São Paulo", destacou.

Os 25% restantes vem de outras cidades brasileiras.

MULHERES

Apesar de ser minoria entre os estudantes (30%), as mulheres apresentam rendimento escolar melhor que o dos homens. Para o futuro, o desafio da instituição é ampliar o número de alunas. "Podemos pensar até mesmo em fazer um sistema de reserva de vagas para o sexo feminino", destacou Silva.

A pesquisa deve servir como base para futuras ações voltadas aos estudantes.

Extraído de Diário do Grande ABC

quarta-feira, 23 de março de 2011

Deputada Estadual Ana Lúcia - SE - destaca sistema de cotas

Deputada Ana Lúcia destaca sistema de cotas

22 de março de 2011 às 7:02

A deputada estadual Ana Lúcia (PT) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa, na tarde desta segunda-feira (21), para enaltecer o sucesso da aplicação da política de cotas para o ensino superior nas Universidades Públicas. A parlamentar enfatizou a passagem do Dia de Luta contra Discriminação Racial. Ana Lúcia defendeu a necessidade de trazer a tona o debate sobre as cotas sociais e raciais. A petista também destacou a passagem do Dia Internacional da Síndrome de Down e a abertura da Semana da Água.

Ana Lúcia fez uma apresentação na tribuna sobre o resultado da pesquisa de desempenho dos estudantes que ingressaram na Universidade Federal de Sergipe através do sistema de cotas, além dos dados estatísticos do IBGE sobre as diferenças entre a escolaridade dos brancos e negros do Brasil e em Sergipe.

“Em 1999, 54% das pessoas se declaravam brancas, 40% pardas e 5,4% negras; em 2009, respectivamente, o quadro era 48,2%, 44,2% e 6,9%. A média de estudo de pessoas com 15 anos ou mais que se declaram brancas no País é de 8,4 anos; os que se declaram pardos tem média de 6,7 anos; já o que se declaram negros tem média de 6,7 anos”, comentou a deputada petista.

Em seguida, Ana Lúcia fez uma análise sobre a realidade do analfabetismo para estudantes entre 18 e 24 anos, segundo a cor ou raça e o nível de ensino freqüentado no Brasil. “No País, em 1999, nós tínhamos 17,8% de analfabetos no ensino fundamental que se declaram brancas; em 2009 eram 6,4%; das 41,2% que e declararam pardas hoje são apenas 18,5%; dos 42,7% dos analfabetos que se declaram negros, hoje são 18,2%. Outro dado importante são as pessoas de 25 anos ou mais com ensino superior concluído, segundo cor ou raça no Brasil. Das 9,8% pessoas que se declararam brancas em 1999, hoje são 15%; 2,3% que se declararam pardas, hoje são 5,3%; 2,3% das pessoas que se declararam negras são 4,7%”, completou.

Ana Lúcia lembrou que atualmente as vagas estão divididas em 50% para alunos cotistas e 50% para não cotistas. “Existia um processo de elitização do ensino superior na escola pública, mas depois das cotas a realidade é outra. A taxa de abandono de cursos dos alunos não cotistas é de 54%. Outro dado é que, cerca de 56% do total de reprovações por faltas na Universidade Federal de Sergipe são alunos não cotistas”.

“A média ponderada de todos os alunos que ingressaram na UFS em 2010 é de 5,8. Os alunos não cotistas tiveram média de 5,9. Já os alunos cotistas oriundos das escolas públicas, independente de origem racial, tiveram média de 5,5. Já os cotistas afro-descendentes oriundo das escolas públicas tiveram média de 5,7. No curso de Medicina, os não cotistas estão com uma média de 8,2% e os cotistas estão com uma média de 8,1. No curso de odontologia, os não cotistas têm média de 6,5 e os cotistas têm média de 7,2”, destacou a deputada, sendo aparteada pelos deputados João Daniel (PT) e Maria Mendonça (PSB).

Da agencia Alese - Assembleia Legislativa de Sergipe

Postado por Munir Darrage

Extraído de Senadinho Notícias

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

UFS divulga análise sobre impacto da adoção das cotas

UFS divulga análise sobre impacto da adoção das cotas
24/02/2011 - 16:18

Estudo se debruçou sobre taxa de abandono, reprovação por falta e desempenho (média geral ponderada).

JornaldaCidade.Net

O Programa de Ações Afirmativas (Paaf) divulgou o primeiro relatório sobre os impactos da adoção das cotas na UFS (Universidade Federal de Sergipe). Com o título “As cotas da UFS não provocam degradação do ensino”, o estudo analisa a taxa de abandono dos alunos, reprovação por falta e desempenho acadêmico (média geral ponderada). Os dados coletados do sistema acadêmico referem-se a 2010.1, período de inauguração das cotas na instituição. As informações de 2010.2 ainda encontram-se em análise.

“Ainda é cedo para tecermos comentários definitivos ou embasados por uma base de dados mais sólida e temporalmente mais longeva, contudo, os dados disponíveis indicam claramente que a implantação do sistema de reserva de vagas para alunos de escolas públicas e não-brancos não teve impactos significantemente negativos (exceto em certos cursos específicos, como em geral nos cursos das áreas de exatas) no desempenho acadêmico do conjunto da universidade”, consta, em sua conclusão, o relatório elaborado pelo professor Paulo Neves, coordenador do Paaf.

O sistema de reserva de vagas da UFS destina 50% das cadeiras a estudantes de escolas públicas municipais, estaduais ou federais. Destas, 70% são reservadas a estudantes que se auto-declaram pardos, índios ou afro-descendentes, correspondendo a 35% do total de vagas.

Cada curso de graduação oferta, ainda, uma vaga para candidatos portadores de necessidades educacionais especiais. No vestibular de 2011, ocorrido em dezembro de 2010, a UFS ofertou 5.260 vagas em 102 opções de cursos.

Veja abaixo alguns trechos do relatório:

Taxa de abandono dos alunos

“Um dos principais argumentos avançados contra a introdução do Paaf era que os alunos oriundos do sistema de cotas, por contingências materiais muito mais prementes, seriam obrigados a abandonar os cursos em maior número que os alunos não cotistas. O que os dados analisados nos mostram é que esse fenômeno não se verificou, sendo que no geral a tendência para o abandono dos cursos é ligeiramente superior entre os alunos não cotistas, tanto no que se refere à UFS como um todo quanto em relação aos cursos mais concorridos, a exemplo dos cursos do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET), onde os não cotistas, embora sejam um pouco menos que 50% dos alunos aprovados no vestibular, foram responsáveis por 54% dos abandonos de cursos”.

Reprovação por falta

“Também no quesito reprovações por falta os alunos não cotistas apresentaram taxas superiores aos alunos cotistas, com cerca de 56% do total de reprovações por falta na universidade. Isso se deu provavelmente pelas mesmas razões que explicam as maiores taxas de abandono dos cursos pelos não cotistas. De todo modo, o que se pode afirmar é que eles também foram os que mais tiveram reprovações por falta no primeiro período de 2010. Aqui, as exceções ficariam por conta de alguns cursos tecnológicos. Nos cursos de engenharias, por exemplo, em geral os alunos cotistas reprovam mais por faltas que os não cotistas”.

Desempenho acadêmico

“Se tomamos como parâmetro as médias gerais ponderadas de todos os alunos da UFS, percebe-se que em um contexto de médias ponderadas relativamente baixas para todos os grupos de entrada no vestibular, as diferenças entre a média de todos os alunos e os alunos das cotas para escolas públicas são inferiores a 0,4 pontos. Assim, por exemplo, enquanto a média ponderada de todos os alunos que ingressaram em 2010 (cerca de 3.443) era de 5,8, a dos alunos que ingressaram pelas cotas C (alunos afro-descendentes oriundos de escolas públicas) era de 5,7 (apenas um décimo abaixo da média geral). Já os alunos da cota B (alunos oriundos de escolas públicas independente de origem racial) tiveram média de 5,5 e os da cota D (deficientes) 4,3. Como se vê, os alunos das cotas B e C não apresentam uma grande diferença em relação à média do conjunto do alunado e nem mesmo em relação aos alunos que entraram sem cotas (A), cuja média foi de 5,9. O grupo que apresenta maiores distâncias em relação à média geral é o grupo oriundo das cotas D (para portadores de deficiências), o que, em parte, pode estar relacionado à adaptação necessária da UFS e de sua comunidade acadêmica às necessidades especiais desse grupo”.

Desempenho em cursos competitivos

Na maioria dos cursos da UFS não houve grandes disparidades entre as notas obtidas entre cotistas e não cotistas. Mesmo em cursos altamente competitivos, como Medicina e Odontologia, as diferenças foram menores do que previstas pelos críticos mais acerbos: em Medicina, os não cotistas tiveram média de 8,2 enquanto os cotistas B obtiveram a média de 8,1, enquanto que em Odontologia os alunos da cota B tiveram média 7,2 , superior à média dos não cotistas (6,5). Ainda aqui, a exceção ficou por conta dos cursos da área de exatas, no CCET, onde em geral as diferenças das médias ponderadas entre cotistas e não cotistas foram relativamente mais importantes que nos outros centros, os não cotista obtendo em alguns cursos médias superiores a 1 ponto às médias dos cotistas”.

Relatório completo AQUI

Fonte: UFS
Extraído de JornaldaCidade.Net




segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

UFS realiza estudos com alunos cotistas


UFS realiza estudos com alunos cotistas


UnB Agência - Jornal da Cidade - SE – 05/12/2010

A Universidade Federal de Sergipe realiza o segundo vestibular depois de implantado o sistema de cotas. Neste primeiro ano, a universidade vem realizando estudos com alunos cotistas para avaliar o impacto da política de ação afirmativa na UFS. A pesquisa será divulgada no início do próximo ano letivo, mas o vice-reitor, Sandro Holando disse que as primeiras informações levantadas mostram que a concorrência do vestibular vai aumentar e o rendimento escolar nos cursos de Direito e Medicina não difere entre alunos cotistas e não cotistas. A mesma impressão tem professores e alunos desses cursos.

"Não temos ainda dados científicos, mas temos percebido que o rendimento de alunos de curso como Medicina e Direito não difere e que a evasão escolar tem sido menor do que os anos anteriores da média da universidade", falou Sandro Holanda. Ele disse ainda que, não só a concorrência por curso aumentou, bem como o interesse de alunos de escolas públicas em ingressar em cursos tidos como elitistas.

A Universidade Federal de Sergipe implantou o sistema de cotas no vestibular 2010 (...) oferecendo metade das 4.910 vagas (2.450) a alunos declarados negros ou pardos e/ou estudantes de escolas públicas. Neste primeiro ano, de um total de 24 mil alunos, 2.450 são cotistas. Para o vestibular 2011, a UFS oferta 5.230 vagas, das quais 2.615 serão reservadas aos grupos B e C.

  • Guerra Judicial

Desde a divulgação do resultado do vestibular, em janeiro, cerca de 93 alunos não cotistas, e que ficaram de fora do listão de aprovados, ingressaram na Justiça pedindo a efetivação da matrícula alegando inconstitucionalidade do sistema de cotas. Alguns desses pedidos se juntaram em uma só ação judicial o que ocasionou em pouco mais de 60 processos. Porém, segundo Sandro Holanda, 19 tiveram a matrícula cancelada. Os demais processos continuam em tramitação.

Situação semelhante tem ocorrido em universidades de outros Estados. Estudo feito pelo Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a primeira a adotar o sistema de cotas, em 2003 (...), mostra que, no primeiro ano de vigência, cerca de 400 mandados de segurança foram impetrados por alunos que perderam a vaga no ensino superior para os cotistas. Desses, a Justiça concedeu liminar a 161 que acabaram sendo cassadas depois. As demais, também caíram por terra e os não cotistas foram perdendo o entusiasmo de contestar judicialmente o sistema de cotas.

  • Constitucionalidade - na monografia de Magson Melo Santos

A constitucionalidade do sistema de cotas foi tema da monografia do estudante de Direito e hoje professor do curso de Direito, Magson Melo Santos. O trabalho lhe rendeu nota 10 e deferências do Ministério Público Federal. "O sistema de cotas adotado nas universidades brasileiras é meritocrático, não fere o princípio da igualdade e veio para corrigir distorções históricas quanto ao acesso à universidade", asseverou o professor que participou ativamente do processo de implantação do sistema de cotas da UFS quando era estudante e membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Segundo ele, a Constituição Federal de 1988 tem muitos dispositivos que substanciam a legalidade das Ações Afirmativas nas Universidades. Ele destaca a que estabelece a consagração do princípio da autonomia universitária e a busca como objetivo fundamental da promoção da igualdade material entre os brasileiros. A concessão de títulos de propriedade para remanescentes de quilombolas, a ratificação de tratados internacionais que repudiam o racismo e a discriminação, e aquelas que chancelam aos Estados-Parte a adotarem políticas de promoção social para segmentos discriminados, também foram destacadas pelo professor em sua monografia. Magson Melo elencou os objetivos fundamentais da Constituição Federal de construir uma sociedade justa e solidária (art. 3º, I); de erradicar a pobreza e a marginalização (art. 3º, III), a de promover o bem de todos e sem preconceitos (art. 3º, IV).

Ampliação do sistema

Mas, e o que vem a ser políticas de ações afirmativas? Entre outras definições acerca das políticas afirmativas, ele cita a do ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa Gomes: são políticas públicas e privadas de caráter compulsório, facultativo ou voluntário, concebidas com vistas ao combate de discriminação racial, de gênero, por deficiência física e de origem nacional, bem como para mitigar os efeitos presentes da discriminação praticada no passado, tendo por objetivo a concretização do ideal de efetiva igualdade de acesso a bens fundamentais como a educação e o emprego.

Magson Melo frisou que as cotas são medidas emergenciais e paliativas para corrigir distorções históricas e despertar a sociedade do mito da democracia racial. O sistema será reavaliado em 2020, 10 anos após a sua implantação. Ele citou os dados da UFS com base na origem dos estudantes que ingressaram na instituição no ano de 2008 mostravam que apenas 2% dos aprovados em Medicina e Direito vinham de escolas públicas, isso apesar de 80% dos estudantes sergipanos serem matriculados na rede oficial de ensino. "O Brasil é um país multicultural e multiétnico e as universidades públicas, que são sustentadas por todos, não podem fechar os olhos para essa diversidade", complementou.

O sistema de cotas nas universidades brasileiras é opcional, mas pode se tornar obrigatório. Está em tramitação avançada Projeto de Lei 3.913/2008 que torna compulsória a adoção do sistema de cotas nas instituições públicas de ensino superior tramita no Congresso Nacional (...).

Discriminação

O primeiro ano de vigência do sistema de cotas na UFS tem sido tranquilo na avaliação de professores, alunos e da universidade. "Nunca ocorreu uma manifestação de discriminação de aluno não cotista para cotista, e vice-versa, que tenha sido relatada a reitoria", afirmou Sandro Holanda.

O professor Magson Melo disse também não perceber nenhuma atitude discriminatória entre alunos ou professores. "Para o professor, o que interessa é o rendimento do aluno em sala de aula e não se ele é ou não cotista", falou. Ele não percebe também diferenças no aprendizado entre os alunos que ingressaram pelo sistema de cotas e aqueles alcançados pelo sistema.

  • Sonho realizado

O sonho de tornar-se estudante de Direito e tornar-se uma advogada foi sonhado por Aura Danielle Dantas de Santana por quatro anos, até tornar-se realidade na quinta tentativa. "As escolas públicas não preparam o aluno para o vestibular, mas para o mercado de trabalho, para o comércio, por exemplo", disse.

Ela disse não ver diferenças de aprendizado e entendimento das aulas entre cotistas e não cotistas dentro da universidade. Segundo ela, as diferenças aparecem no estilo de se vestir, nos locais de passeio e de estudos. "Não vejo diferenças entre cotistas e não cotistas a nível cognitivo."

No entanto, percebo que o cotista procura mais os espaços públicos, como a biblioteca e o restaurante universitário. Logo, entendo que a diferença é sócio-econômica e não étnica", falou.

Ela acrescentou, no entanto, que a convivência é harmoniosa, dentro e fora da sala de aula. "Não existe hostilidade", assegurou.

A historiadora Lucilla Menezes estudou da 5ª série ao 3º ano do ensino médio no Colégio de Aplicação da UFS e emendou os estudos ingressando no curso de História desta mesma universidade. No ano passado se matriculou em um cursinho pré-vestibular rumo a mais uma graduação. Ela se inscreveu no grupo "B" e foi aprovada no curso de Direito. "O sistema de cotas abriu esta possibilidade", disse.

Ela disse que não percebe atitudes preconceituosas por parte dos alunos não cotistas e dos professores. "É claro que há diferenças, principalmente materiais. A maioria dos alunos egressos das escolas particulares, pelo menos no curso de Direito, dispõe de carro particular, dominam outro idioma, já fizeram intercâmbio no exterior e tem acesso a livros", falou.

Segundo a estudante, o desempenho intelectual dos cotistas e não-cotistas é equivalente, tanto em relação às notas quanto ao desempenho participativo dentro da sala de aula. "Na minha turma, por exemplo, há alguns cotistas que realmente se destacam muito: tiram ótimas notas e sempre participam dos debates e discussões com opiniões valiosas", disse.

Aluno de um curso considerado, também, elitista, o estudante do curso de Medicina José Benito Santos Júnior trocou o curso de Enfermagem este ano, depois de implantado o sistema de cota. "O estudante de escola pública não tem condições de competir em condições de igualdade com o aluno de uma escola particular focada no vestibular. O sistema de cotas veio para corrigir essa distorção", disse o jovem que estudou o ensino médio no povoado Alagadiço, município de Frei Paulo.

  • Cotas nas Instituições Tecnológicas Federais

Tramita em caráter avançado no Congresso Nacional, Projeto de Lei 3.913/2008 de autoria do deputado Pedro Wilson Guimarães (PT/GO) que trata especificamente da reserva de vagas para egressos de escolas públicas e afrodescendentes nas Instituições Federais de Ensino Superior Profissional e Tecnológica (IEFS). O projeto prevê a reserva de 50% das vagas das universidades e escolas federais de nível superior para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas.

O PL 3.913/2008 surgiu em 2004 por meio da senadora Ideli Salvatti (PT/SC) que elaborou Projeto de Lei 3.627/04. Depois de aprovado o PL 3.627/04 seguiu para a Câmara dos Deputados, onde ganhou o número PL 3.913/08. Lá também já foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura e será submetido a plenário.

O projeto atual conta com apenas seis artigos. Dentro da cota da escola pública existirá uma reserva que será preenchida por uma proporção mínima de autodeclarados negros e indígenas igual à proporção de pretos, pardos e indígenas na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição.

A referência para a adequação das ações afirmativas as peculiaridades regionais de cada IFES serão os dados sobre autodeclaração étnica-racial do IBGE. O projeto prevê um prazo de oito meses para implantação e outro de 10 anos para revisão, a fim de verificar se existe ou não a necessidade de continuidade da reserva de vagas.

  • UERJ foi pioneira

De acordo com o professor Magson, atualmente mais de 60 universidades públicas adotam o sistema de cotas em seus vestibulares. A pioneira foi a Universidade Estadual do Rio de Janeiro- UERJ, em 2002 destinando um percentual mínimo de 45% de suas vagas para negros (20%) estudantes de escolas públicas (20%) e 5% para pessoas com deficiência, nos termos da legislação em vigor e integrantes de minorias étnicas.

a primeira instituição de ensino superior federal a adotar a reserva de vagas foi a Universidade de Brasília (UnB), em junho de 2004. A UnB reserva 20% de suas vagas para autodeclarados negros e 10 vagas, a cada semestre, para 10 indígenas aprovados em um teste de seleção. A oferta de cursos para esses alunos varia de acordo com as necessidades da tribo e a disponibilidade de vagas na instituição.

A Bahia, o Estado mais negro do Brasil com 78,6%, adotou em 2004 o sistema de cotas destinando 45% das vagas às minorias, entre elas, os negros e egressos de escolas públicas. Já a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Estado com menor índice de afrodescentes entre sua população geral, reserva 30% das vagas para as minorias entre elas os negros. A Universidade Federal de São Carlos, localizada no Estado de São Paulo, instituiu Programa de Ações Afirmativas com reserva de vagas de implantação progressiva que vai de 20% (entre 2008 e 2010) até 50% no período de 2014 a 2016. A Universidade Federal de Alagoas (UFAL) adota 20%.

  • UFS

As discussões para a implantação de políticas afirmativas na UFS começaram em 2003. Em outubro de 2007, a Universidade Federal de Sergipe criou o Programa de Ações Afirmativas. Na ocasião foi formada uma comissão para analisar experiências de outros Estados, o projeto de lei do Governo federal 3267/04, que trata do assunto, e adaptá-lo às necessidades locais. A comissão era formada por: representantes dos centros acadêmicos, da Associação dos Docentes da UFS (ADUFS), do Sindicato dos Trabalhadores da UFS (Sintufs) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), o qual o professor Magson era representante. Um ano depois, em 2008, o sistema de cotas foi aprovado (para ser aplicado em 2009/vestibular 2010) por 21 votos a quatro em uma reunião do conselho no auditório da reitoria em meio a ovações e protestos.

Fonte: Sergipe em Destaque
Extraído de: UnB – Notícias
Anotado por Geledés


domingo, 23 de janeiro de 2011

Uespi - 1.200 alunos aprovados por cotas

Vestibular: 1.200 alunos foram aprovados na Uespi por cotas

21/01/11, 17:10

Número corresponde a um terço dos aprovados. No geral, 35 vagas deixaram de ser preenchidas na seleção.

O presidente do Núcleo de Concursos e Promoção de Eventos da Universidade Estadual do Piauí - Nucepe/Uespi -, Francisco Canindé, revelou que 1.200 candidatos foram aprovados no Vestibular 2011 através do sistema de cotas. O número corresponde a um terço das vagas ofertadas pela instituição, que divulgou a lista dos selecionados nesta sexta-feira (21 de janeiro).

Segundo Canindé, neste ano o sistema de cotas aumentou em mais de 20%. Os candidatos são beneficiados por serem negros e/ou alunos de escolas públicas, o que corresponde a maioria do casos.

Lista completa dos aprovados no vestibular 2011

Matérias relacionadas
Jovem de 17 anos é 1º na Uespi; 64% dos aprovados são de escola pública

Extraído de Cidade Verde


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

UPE - 2011

Vestibular da UPE tem três primeiros colocados

21.12.2010, às 15h48 - Do JC Online
.....

O melhor colocado entre os estudantes cotistas foi o aluno da Escola do Recife, Thiago Roberto Costa Melo, de 17 anos. Ele disputou uma das vagas do curso de Medicina e garantiu os primeiros lugares entre os cotistas do tradicional e seriado, com as médias 83,05 e 81,41, respectivamente. "A supresa foi muito boa. Para os alunos da rede pública, gostaria de dizer que, mesmo com dificuldade, é possível. Sou a prova disso".

De acordo com a comissão da UPE, para os alunos aprovados no mesmo curso nos vestibulares seriado e tradicional (duas vezes), será considerada a sua colocação no seriado. Ou seja, Thiago Roberto, que passou em Medicina nas duas modalidades, terá a sua vaga garantida no seriado. A outra classificação não será considerada. Já os alunos aprovados nas duas modalidades, mas em cursos diferentes, poderão optar por um das duas graduações.

Fonte: JC Uol
_____

VESTIBULAR - UPE muda critério de cotas

Seg, 29 de Junho de 2009 21:00

No Vestibular 2010, feras cotistas terão que ter estudado na rede pública desde a 5ª série do ensino fundamental