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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Universidades públicas BR: 110 mil cotistas, em 10 anos

Universidades públicas do Brasil já possuem 110 mil alunos cotistas

Ter, 20 de Setembro de 2011 03:31

O Senado Federal debateu nesta segunda-feira, 19 de setembro, os dez anos de implantação de sistemas de cotas raciais no ensino superior, que começou em 2001, voltada para as universidades estaduais do Rio de Janeiro. Segundo levantamento da ONG Educafro, 110 mil negros foram beneficiados pelos sistemas de cotas e tiveram acesso a universidades públicas do país nesses anos. Para os participantes do debate, as ações afirmativas mostraram-se bem-sucedidas ao promover a inclusão significativa da população negra no ensino superior público.

O reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Sousa Junior, fez parte da mesa de discussão.

A UnB foi a primeira universidade federal a implantar o sistema e recebeu homenagens pelo pioneirismo durante o debate. Para o reitor, a UnB tem o mérito de ter construído a própria política, que garante 20% das vagas para estudantes negros desde 2004. "Não dependeu de determinação externa, nem de leis. Foi uma criação da própria comunidade", ressaltou. "A UnB já possui 5.396 alunos negros que ingressaram no vestibular por meio do sistema de cotas e o que se verifica é que a diferença entre as notas dos estudantes cotistas e não-cotistas é percentualmente insignificante". José Geraldo ressaltou ainda que a evasão entre os cotistas é menor. "A universidade ficou mais colorida depois que adotou o sistema".  

O reitor destacou a identidade étnica da Universidade de Brasília, que acredita “ser mais fiel ao o recorte social amplo”. “Do ponto de vista cultural, a UnB ganhou relevância temática nas discussões e nos temas que circulam no ambiente acadêmico”, pontuou. “Nós, com isso, realizamos uma projeção de presença na sociedade de um contingente que contribui pra o desenvolvimento e que, antes, estava excluído dessa participação”.

Estavam presentes também os senadores Paulo Paim (PT-RS), Marinor Brito (PSOL-PA) e Paulo Davim (PV-RN), o diretor-executivo da Educafro, Davi Santos, a secretária de Políticas Afirmativas da Presidência da República, Anhamona Silva de Brito, a diretora de Gestão Acadêmica da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), Elisângela Moreira da Costa, o secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa.

Luiz Cláudio Costa manifestou apoio às ações afirmativas e demonstrou a preocupação do MEC em manter esses estudantes nas universidades, com a destinação de R$ 505 milhões por ano para políticas de assistência estudantil. Segundo o secretário, o ensino superior do Brasil forma atualmente um milhão de pessoas por ano, 700 mil a mais do que em 2002, quando a marca era de 300 mil formados.

A diretora de Gestão Acadêmica da Unemat, Elisângela Patrícia Moreira da Costa, afirmou que a instituição já nasceu "com a marca da inclusão", porque surgiu em 1978, no interior do estado, como Instituto de Ensino Superior de Cáceres. Virou universidade em 1993 e adotou o sistema de cotas a partir de 2004. Segundo a diretora, a universidade acompanha o desenvolvimento dos cotistas desde a inscrição no vestibular até a formatura.

Quando a mesa abriu o debate para o público, a militante do movimento negro Solange Aparecida Ferreira de Campos, a primeira brasileira beneficiada com bolsa do Prouni, relatou a experiência dela com as cotas. Solange entrou para o curso de Gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi, uma instituição privada, quando já tinha 45 anos, e formou-se em 2008. Na opinião dela, é obrigação dos governantes brasileiros apoiar o acesso à educação da população negra. "Nossos ancestrais negros deram o sangue por esse país", afirmou. "Se tivemos força para levar chibatadas nas costas, também temos força, competência e capacidade para ocupar qualquer cargo e exercer qualquer atividade e trabalho".

Com informações da Agência Senado.
UnB Agência


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

OAB vai defender sistema de cotas em universidades públicas


OAB vai defender sistema de cotas em universidades públicas

23 de agosto de 2011 • 08h54

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai ingressar como amicus curiae (amigo da Corte) na ação que discute a constitucionalidade dos sistemas de cotas raciais nas universidades públicas no Supremo Tribunal Federal (STF). A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186 foi ajuizada pelo DEM em 2009 e pede a declaração de inconstitucionalidade das cotas adotado pela Universidade de Brasília (UnB).

A OAB vai defender a criação das políticas de cotas. O apoio foi aprovado ontem (22 de agosto 2011) pelo Conselho Federal do órgão, por unanimidade. O amicus curiae é uma parte interessada em uma causa que pede ao tribunal para colaborar com elementos para fundamentar a decisão dos juízes.

A OAB argumenta que os sistemas de cotas raciais nas universidades levam em conta princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana, ao tentar reverter desigualdades sociais histórias entre negros e brancos.

Agência Brasil
Extraído de Terra-Educação

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

UFS realiza estudos com alunos cotistas


UFS realiza estudos com alunos cotistas


UnB Agência - Jornal da Cidade - SE – 05/12/2010

A Universidade Federal de Sergipe realiza o segundo vestibular depois de implantado o sistema de cotas. Neste primeiro ano, a universidade vem realizando estudos com alunos cotistas para avaliar o impacto da política de ação afirmativa na UFS. A pesquisa será divulgada no início do próximo ano letivo, mas o vice-reitor, Sandro Holando disse que as primeiras informações levantadas mostram que a concorrência do vestibular vai aumentar e o rendimento escolar nos cursos de Direito e Medicina não difere entre alunos cotistas e não cotistas. A mesma impressão tem professores e alunos desses cursos.

"Não temos ainda dados científicos, mas temos percebido que o rendimento de alunos de curso como Medicina e Direito não difere e que a evasão escolar tem sido menor do que os anos anteriores da média da universidade", falou Sandro Holanda. Ele disse ainda que, não só a concorrência por curso aumentou, bem como o interesse de alunos de escolas públicas em ingressar em cursos tidos como elitistas.

A Universidade Federal de Sergipe implantou o sistema de cotas no vestibular 2010 (...) oferecendo metade das 4.910 vagas (2.450) a alunos declarados negros ou pardos e/ou estudantes de escolas públicas. Neste primeiro ano, de um total de 24 mil alunos, 2.450 são cotistas. Para o vestibular 2011, a UFS oferta 5.230 vagas, das quais 2.615 serão reservadas aos grupos B e C.

  • Guerra Judicial

Desde a divulgação do resultado do vestibular, em janeiro, cerca de 93 alunos não cotistas, e que ficaram de fora do listão de aprovados, ingressaram na Justiça pedindo a efetivação da matrícula alegando inconstitucionalidade do sistema de cotas. Alguns desses pedidos se juntaram em uma só ação judicial o que ocasionou em pouco mais de 60 processos. Porém, segundo Sandro Holanda, 19 tiveram a matrícula cancelada. Os demais processos continuam em tramitação.

Situação semelhante tem ocorrido em universidades de outros Estados. Estudo feito pelo Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a primeira a adotar o sistema de cotas, em 2003 (...), mostra que, no primeiro ano de vigência, cerca de 400 mandados de segurança foram impetrados por alunos que perderam a vaga no ensino superior para os cotistas. Desses, a Justiça concedeu liminar a 161 que acabaram sendo cassadas depois. As demais, também caíram por terra e os não cotistas foram perdendo o entusiasmo de contestar judicialmente o sistema de cotas.

  • Constitucionalidade - na monografia de Magson Melo Santos

A constitucionalidade do sistema de cotas foi tema da monografia do estudante de Direito e hoje professor do curso de Direito, Magson Melo Santos. O trabalho lhe rendeu nota 10 e deferências do Ministério Público Federal. "O sistema de cotas adotado nas universidades brasileiras é meritocrático, não fere o princípio da igualdade e veio para corrigir distorções históricas quanto ao acesso à universidade", asseverou o professor que participou ativamente do processo de implantação do sistema de cotas da UFS quando era estudante e membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Segundo ele, a Constituição Federal de 1988 tem muitos dispositivos que substanciam a legalidade das Ações Afirmativas nas Universidades. Ele destaca a que estabelece a consagração do princípio da autonomia universitária e a busca como objetivo fundamental da promoção da igualdade material entre os brasileiros. A concessão de títulos de propriedade para remanescentes de quilombolas, a ratificação de tratados internacionais que repudiam o racismo e a discriminação, e aquelas que chancelam aos Estados-Parte a adotarem políticas de promoção social para segmentos discriminados, também foram destacadas pelo professor em sua monografia. Magson Melo elencou os objetivos fundamentais da Constituição Federal de construir uma sociedade justa e solidária (art. 3º, I); de erradicar a pobreza e a marginalização (art. 3º, III), a de promover o bem de todos e sem preconceitos (art. 3º, IV).

Ampliação do sistema

Mas, e o que vem a ser políticas de ações afirmativas? Entre outras definições acerca das políticas afirmativas, ele cita a do ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa Gomes: são políticas públicas e privadas de caráter compulsório, facultativo ou voluntário, concebidas com vistas ao combate de discriminação racial, de gênero, por deficiência física e de origem nacional, bem como para mitigar os efeitos presentes da discriminação praticada no passado, tendo por objetivo a concretização do ideal de efetiva igualdade de acesso a bens fundamentais como a educação e o emprego.

Magson Melo frisou que as cotas são medidas emergenciais e paliativas para corrigir distorções históricas e despertar a sociedade do mito da democracia racial. O sistema será reavaliado em 2020, 10 anos após a sua implantação. Ele citou os dados da UFS com base na origem dos estudantes que ingressaram na instituição no ano de 2008 mostravam que apenas 2% dos aprovados em Medicina e Direito vinham de escolas públicas, isso apesar de 80% dos estudantes sergipanos serem matriculados na rede oficial de ensino. "O Brasil é um país multicultural e multiétnico e as universidades públicas, que são sustentadas por todos, não podem fechar os olhos para essa diversidade", complementou.

O sistema de cotas nas universidades brasileiras é opcional, mas pode se tornar obrigatório. Está em tramitação avançada Projeto de Lei 3.913/2008 que torna compulsória a adoção do sistema de cotas nas instituições públicas de ensino superior tramita no Congresso Nacional (...).

Discriminação

O primeiro ano de vigência do sistema de cotas na UFS tem sido tranquilo na avaliação de professores, alunos e da universidade. "Nunca ocorreu uma manifestação de discriminação de aluno não cotista para cotista, e vice-versa, que tenha sido relatada a reitoria", afirmou Sandro Holanda.

O professor Magson Melo disse também não perceber nenhuma atitude discriminatória entre alunos ou professores. "Para o professor, o que interessa é o rendimento do aluno em sala de aula e não se ele é ou não cotista", falou. Ele não percebe também diferenças no aprendizado entre os alunos que ingressaram pelo sistema de cotas e aqueles alcançados pelo sistema.

  • Sonho realizado

O sonho de tornar-se estudante de Direito e tornar-se uma advogada foi sonhado por Aura Danielle Dantas de Santana por quatro anos, até tornar-se realidade na quinta tentativa. "As escolas públicas não preparam o aluno para o vestibular, mas para o mercado de trabalho, para o comércio, por exemplo", disse.

Ela disse não ver diferenças de aprendizado e entendimento das aulas entre cotistas e não cotistas dentro da universidade. Segundo ela, as diferenças aparecem no estilo de se vestir, nos locais de passeio e de estudos. "Não vejo diferenças entre cotistas e não cotistas a nível cognitivo."

No entanto, percebo que o cotista procura mais os espaços públicos, como a biblioteca e o restaurante universitário. Logo, entendo que a diferença é sócio-econômica e não étnica", falou.

Ela acrescentou, no entanto, que a convivência é harmoniosa, dentro e fora da sala de aula. "Não existe hostilidade", assegurou.

A historiadora Lucilla Menezes estudou da 5ª série ao 3º ano do ensino médio no Colégio de Aplicação da UFS e emendou os estudos ingressando no curso de História desta mesma universidade. No ano passado se matriculou em um cursinho pré-vestibular rumo a mais uma graduação. Ela se inscreveu no grupo "B" e foi aprovada no curso de Direito. "O sistema de cotas abriu esta possibilidade", disse.

Ela disse que não percebe atitudes preconceituosas por parte dos alunos não cotistas e dos professores. "É claro que há diferenças, principalmente materiais. A maioria dos alunos egressos das escolas particulares, pelo menos no curso de Direito, dispõe de carro particular, dominam outro idioma, já fizeram intercâmbio no exterior e tem acesso a livros", falou.

Segundo a estudante, o desempenho intelectual dos cotistas e não-cotistas é equivalente, tanto em relação às notas quanto ao desempenho participativo dentro da sala de aula. "Na minha turma, por exemplo, há alguns cotistas que realmente se destacam muito: tiram ótimas notas e sempre participam dos debates e discussões com opiniões valiosas", disse.

Aluno de um curso considerado, também, elitista, o estudante do curso de Medicina José Benito Santos Júnior trocou o curso de Enfermagem este ano, depois de implantado o sistema de cota. "O estudante de escola pública não tem condições de competir em condições de igualdade com o aluno de uma escola particular focada no vestibular. O sistema de cotas veio para corrigir essa distorção", disse o jovem que estudou o ensino médio no povoado Alagadiço, município de Frei Paulo.

  • Cotas nas Instituições Tecnológicas Federais

Tramita em caráter avançado no Congresso Nacional, Projeto de Lei 3.913/2008 de autoria do deputado Pedro Wilson Guimarães (PT/GO) que trata especificamente da reserva de vagas para egressos de escolas públicas e afrodescendentes nas Instituições Federais de Ensino Superior Profissional e Tecnológica (IEFS). O projeto prevê a reserva de 50% das vagas das universidades e escolas federais de nível superior para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas.

O PL 3.913/2008 surgiu em 2004 por meio da senadora Ideli Salvatti (PT/SC) que elaborou Projeto de Lei 3.627/04. Depois de aprovado o PL 3.627/04 seguiu para a Câmara dos Deputados, onde ganhou o número PL 3.913/08. Lá também já foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura e será submetido a plenário.

O projeto atual conta com apenas seis artigos. Dentro da cota da escola pública existirá uma reserva que será preenchida por uma proporção mínima de autodeclarados negros e indígenas igual à proporção de pretos, pardos e indígenas na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição.

A referência para a adequação das ações afirmativas as peculiaridades regionais de cada IFES serão os dados sobre autodeclaração étnica-racial do IBGE. O projeto prevê um prazo de oito meses para implantação e outro de 10 anos para revisão, a fim de verificar se existe ou não a necessidade de continuidade da reserva de vagas.

  • UERJ foi pioneira

De acordo com o professor Magson, atualmente mais de 60 universidades públicas adotam o sistema de cotas em seus vestibulares. A pioneira foi a Universidade Estadual do Rio de Janeiro- UERJ, em 2002 destinando um percentual mínimo de 45% de suas vagas para negros (20%) estudantes de escolas públicas (20%) e 5% para pessoas com deficiência, nos termos da legislação em vigor e integrantes de minorias étnicas.

a primeira instituição de ensino superior federal a adotar a reserva de vagas foi a Universidade de Brasília (UnB), em junho de 2004. A UnB reserva 20% de suas vagas para autodeclarados negros e 10 vagas, a cada semestre, para 10 indígenas aprovados em um teste de seleção. A oferta de cursos para esses alunos varia de acordo com as necessidades da tribo e a disponibilidade de vagas na instituição.

A Bahia, o Estado mais negro do Brasil com 78,6%, adotou em 2004 o sistema de cotas destinando 45% das vagas às minorias, entre elas, os negros e egressos de escolas públicas. Já a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Estado com menor índice de afrodescentes entre sua população geral, reserva 30% das vagas para as minorias entre elas os negros. A Universidade Federal de São Carlos, localizada no Estado de São Paulo, instituiu Programa de Ações Afirmativas com reserva de vagas de implantação progressiva que vai de 20% (entre 2008 e 2010) até 50% no período de 2014 a 2016. A Universidade Federal de Alagoas (UFAL) adota 20%.

  • UFS

As discussões para a implantação de políticas afirmativas na UFS começaram em 2003. Em outubro de 2007, a Universidade Federal de Sergipe criou o Programa de Ações Afirmativas. Na ocasião foi formada uma comissão para analisar experiências de outros Estados, o projeto de lei do Governo federal 3267/04, que trata do assunto, e adaptá-lo às necessidades locais. A comissão era formada por: representantes dos centros acadêmicos, da Associação dos Docentes da UFS (ADUFS), do Sindicato dos Trabalhadores da UFS (Sintufs) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), o qual o professor Magson era representante. Um ano depois, em 2008, o sistema de cotas foi aprovado (para ser aplicado em 2009/vestibular 2010) por 21 votos a quatro em uma reunião do conselho no auditório da reitoria em meio a ovações e protestos.

Fonte: Sergipe em Destaque
Extraído de: UnB – Notícias
Anotado por Geledés


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pauta STF 2011: união civil homossexual, aborto, cotas universitárias

União gay, aborto e cotas raciais vão à pauta do STF

20/01/2011 - 09:51:50 - Folha Online

Ao retornar das férias, em fevereiro, os ministros do STF vão se debruçar sobre um lote de processos polêmicos. [...]

No gozo dos últimos dias de descanso, o decano do Supremo, Celso de Mello, falou à CRTV -uma 'WebTV' que opera em Tatuí (SP), cidade natal do ministro. A certa altura, Celso de Mello listou os três temas que considera mais espinhosos: união civil entre homossexuais, aborto e cotas universitárias.

Aqui, o pedaço da entrevista em que o ministro discorre sobre a agenda do Supremo para 2011.

Segundo ele, “um dos primeiros casos a ser julgados é o da união civil homossexual, a união civil gay”.

O caso teve origem numa ação movida pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Deu entrada no STF em março de 2008. No texto, Cabral anota que o Código Civil brasileiro reconhece como legítima a união estável entre casais heterossexuais. Pede ao Supremo que estenda o mesmo regime jurídico aos servidores do Estado que vivem em “união homoafetiva”. O relator do processo é o ministro Carlos Ayres Britto. Prevê-se que dará razão a Cabral, igualando heterossexuais e homessexuais em direitos. Chamado a opinar, o Ministério Público manifestou-se em julho de 2009. O parecer leva a assinatura da vice-procuradora-geral Deborah Duprat. Ela dá razão a Cabral: “A negativa do caráter familiar à união entre parceiros do mesmo sexo representa uma violência simbólica contra os homossexuais...” Duprat pede que a decisão do STF não se restrinja ao âmbito do Rio. Reivindica que o tribunal dê ao pedido “caráter nacional”. Pede que os ministros declarem a “obrigatoriedade do reconhecimento, como entidade familiar, da união entre pessoas do mesmo sexo...” “...Desde que atendidos os mesmos requisitos exigidos para a constituição da união estável entre homem e mulher”.

Por precaução, a Procuradoria da República ajuizou, ela própria, uma ação sobre o mesmo tema. Apenas para “assegurar que a eventual conclusão de procedência do pedido [de Cabral] assuma foro nacional”.


Vai à pauta também, segundo Celso de Mello, “outro tema talvez mais delicado ainda, que envolve a questão do aborto”. O processo trata do “problema da antecipação terapêutica do parto”. Celso de Mello esmiuçou: “Nós vamos dizer se a mulher tem ou não o direito de praticar esta antecipação terapêutica de parto, que nada mais é do que eufemismo para aborto...” “...Na hipótese de um feto ser portador de anencefalia, vale dizer não ter cérebro ou ter desenvolvimento muito rudimentar do tecido cerebral”. Neste caso, o relator é o ministro Marco Aurélio de Mello. A autora da ação é a CNTS (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde). Foi ajuizada em 2004.


Celso de Mello incluiu ainda no rol dos processos polêmicos com julgamento previsto para 2011 ações que tratam de cotas universitárias (raciais e sociais).

Há dois processos sobre o tema, ambos submetidos à relatoria do ministro Ricardo Lewandowski. Num, o DEM questiona a consticucionalidade do sistema de cotas raciais implantado na UnB (Universidade de Brasília). Noutro, o estudante Giovane Pasqualito Fialho contesta a reserva de vagas para alunos egressos do ensino público na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Giovane foi ao STF depois de ter sido reprovado num vestibular da universidade gaúcha. Obteve pontuação superior à de candidatos beneficiados pela cota social. Nessas duas ações, o parecer do Ministério Público opinou a favor das cotas raciais e sociais. Considera que os dois sistemas não afrontam a Constituição.

Em manifestações sobre o caso, Lewandowski esquivou-se de revelar pistas sobre o teor do voto que levará ao plenário. Disse, porém, que a decisão que vier a ser tomada pelo Supremo terá de ser observada por todas as universidades brasileiras.


Aqui, um trecho da entrevista em que Celso de Mello responde a uma indagação sobre o caso do terrorista italiano Cesare Battisti. Vale a pena assistir. O ministro faz um histórico do caso. Conhece-o como poucos. Foi ele quem decretou a prisão de Battisti, há quatro anos.

Extraído de Tudo Agora

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mestrado da UNB beneficia alunos indígenas da UEMS

Mestrado da UNB beneficia alunos indígenas da UEMS

10/01/2011 - 10:49

A Universidade de Brasília (UNB) está com inscrições abertas para o mestrado profissional em Desenvolvimento Sustentável, destinado aos povos indígenas. Das 26 vagas oferecidas pelo programa, 13 são reservadas exclusivamente a indígenas que tenham formação em curso superior. As inscrições para o primeiro período letivo de 2011 vão até o dia 11 de fevereiro. AQUI o edital.

O programa beneficia diretamente os alunos e egressos da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) que destina 10% de todas as suas vagas de graduação a indígenas. A Universidade foi a primeira do Brasil a adotar o sistema de cotas para seleção de indígenas. Desde 2004, quando o sistema de cotas passou a valer, 38 indígenas já completaram o ensino superior pela UEMS e estão aptos a concorrerem às vagas do novo mestrado oferecido pela UNB.

Além de estimular a inserção desses alunos, a Pró-Reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários da Universidade, Beatriz Landa, lembra que a instituição também promove constantemente a reflexão sobre temáticas que contemplem questões indígenas. “Esse mestrado significa continuidade na formação com uma ótica voltada para o desenvolvimento dos povos indígenas”, diz Beatriz.

Mestrado profissional

Diferentemente do mestrado acadêmico, o mestrado profissional visa o mercado de trabalho, ou, no caso deste programa, visa uma preparação mais intensa dos profissionais para atuarem junto aos territórios indígenas e suas comunidades. A área de concentração a que está submetido o novo programa de pós-graduação é “Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais”, na modalidade Sustentabilidade Junto a Povos e Terras Indígenas.

De acordo com a UNB, o programa está em conformidade com os Termos de Cooperação celebrados entre Fundação Universidade de Brasília (FUB) e Ministério da Cultura (MINC), Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), United States Agency for International Development (USAID) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), na condição de entidades parceiras e financiadoras da iniciativa.

Extraído de MS Notícias

Fonte UNB Notícias


domingo, 2 de janeiro de 2011

Vestibular da UnB 2010

Vestibular da UnB termina com 21% de abstenção

19 de dezembro de 2010 • 19h14

Dos 24,8 mil candidatos inscritos para o primeiro vestibular 2011 da Universidade de Brasília (UnB), 78,6% compareceram aos dois dias de provas. O índice de abstenção ficou em 21,4%. De acordo com o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da instituição (Cespe), responsável pela organização do certame, não foram regisatrados incidentes.

Neste domingo (19), foram aplicadas as provas de ciências da natureza e de matemática. Para o primeiro semestre de 2011, a UnB está oferecendo 1.999 vagas em 93 cursos distribuídos em quatro campi, todos no Distrito Federal. Foram reservadas 404 vagas para o sistema de cotas para negros.

Os gabaritos preliminares devem ser divulgados no dia 22 de dezembro, na página do Cespe na internet. A divulgação da lista dos aprovados em primeira chamada está prevista para o dia 4 de fevereiro de 2011.

Fonte: Agência Brasil

Extraído de Noticias Terra

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Raça Humana - Documentário sobre cotas UnB

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Raça Humana

Documentário revela bastidores das cotas raciais na UnB

  • "Raça Humana" foi vencedor da categoria Documentário, na 32ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anisitia e Direitos Humanos, em 2010.

O país do orgulho da miscigenação, apregoado por Gilberto Freire e Darcy Ribeiro, se deparou há alguns anos com uma questão espinhosa: a adoção de cotas raciais nas universidades. Se falar de racismo no Brasil já era tabu, falar de cotas, então, se transformou num daqueles temas sobre os quais é melhor nem iniciar conversa. A menos que estejamos em um grupo onde todos são favoráveis ou todos contrários. Aí, sim, dá para desabafar os inconformismos, de um lado e de outro.

É neste clima de “assunto proibido”, discutido só entre os pares, que os entrevistados do documentário Raça Humana, produzido pela TV Câmara, começam a desfiar o intrincado novelo das cotas. Durante três meses, a equipe que trabalhou no documentário acompanhou a rotina de uma das maiores universidades do país: a Universidade de Brasília-UnB, que de forma tão ousada quanto isolada adotou o sistema de reserva de vagas com recorte puramente racial. No documentário, alunos cotistas e não-cotistas, professores, movimentos organizados, partidos políticos e representantes da instituição falam abertamente sobre o “tabu” das cotas raciais, seja defendendo ou condenando o sistema. Ao mesmo tempo, o documentário mostra ações externas à universidade que permeiam ou influenciam a discussão, como a votação do Estatuto da Igualdade Racial, em tramitação no Congresso - também cercada de muita polêmica, protestos e impasses.

No documentário, questões seculares e mal-resolvidas da história do Brasil vão ressurgindo, tendo como pano de fundo a discussão das cotas raciais. Ao refletir sobre a reserva de vagas para negros no ensino superior, os entrevistados revelam que a discussão vai muito além: envolve o papel das universidades brasileiras; as falhas do sistema educacional; a questão da meritocracia nos vestibulares; o racismo e, principalmente, o papel do negro na estrutura sócio-educativa do país.

É nesse caldeirão de questões que o documentário Raça Humana mergulha e mostra que, para além das reações muitas vezes apaixonadas, raivosas ou até intolerantes, está em pauta no Brasil uma discussão histórica, que não pode ser desprezada. A situação vivida hoje pela UnB é, ao mesmo tempo, peculiar e universal – uma amostra do Brasil contemporâneo, ainda cheio de preconceitos, mas também capaz de refletir sobre a sua história e reconstruí-la a partir de novos parâmetros.

Atualmente, o sistema de cotas da UnB está sendo contestado no Supremo Tribunal Federal pelo partido Democratas e deve ter seu futuro definido ainda em 2010. Embora a ação de Descumprimento de Preceito Fundamental seja direcionada apenas à UnB, a decisão a ser tomada pela Corte vai valer para todas as universidades que adotem algum tipo de cota racial em seus vestibulares.

"Raça Humana" foi vencedor da categoria Documentário, na 32ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anisitia e Direitos Humanos, em 2010.

FICHA TÉCNICA
  • Direção e Roteiro: Dulce Queiroz
  • Edição e Finalização: Joelson Maia
  • Imagens: Claudio Adriano; Edson Cordeiro; André Benigno
  • Videografismo: Ernani Pelúcio
  • Produção: Pedro Henrique Sassi e Pedro Caetano
  • Trilha Original: Alberto Valerio
  • Coordenação Geral: Dulcídio Siqueira
Tempo: 42 minutos

Assistir e "Baixar" o vídeo:

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