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domingo, 30 de junho de 2013

USP barra projeto de cotas e cria bônus racial


USP barra projeto de cotas e cria bônus racial

28 de Junho de 2013

Plano de inclusão estabelece acréscimo de 20% na nota do vestibular a alunos da rede pública e de até 25% aos autodeclarados negros


USP cria cursinho pré-vestibular para alunos da rede pública
(Marcos Santos/USP Imagens)

A Universidade de São Paulo (USP), que sempre foi contrária à criação de critérios raciais de bonificação, aprovou um bônus de 5% no vestibular para candidatos de escolas públicas que se autodeclararem negros, pardos ou indígenas. A criação de um cursinho preparatório para alunos de escola pública também compõe o projeto de inclusão social em discussão na instituição.

A proposta, aprovada nesta quinta-feira pelo Conselho de Graduação, representa o abandono quase total do projeto de cotas proposto pelo governo paulista, batizado de Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Público Paulista (Pimesp). A criação de um curso semipresencial para parte dos cotistas — um dos pontos mais polêmicos do Pimesp — foi descartada.

De acordo com o novo texto, um aluno negro ou indígena que cursou a educação básica na rede pública poderá ter um bônus de até 25% na nota. Sem o critério racial, o bônus para a escola pública será de até 20%. Até o último processo seletivo, o acréscimo máximo era de 15%. Apesar de a proposta ser o resultado do posicionamento das 42 unidades da USP, ela ainda precisa ser aprovada no Conselho Universitário para que entre em vigor no vestibular deste ano.

O prazo para as metas de inclusão são diferentes do que o governo havia proposto. O documento elaborado pelo Conselho de Graduação diz que a USP só teria condições de alcançar 50% de alunos de escola pública em 2018, não em 2016, como previa o plano de Alckmin.

O projeto em estudo na USP não fala em cotas, apenas em metas e não prevê ações para o caso de não cumprimento dos objetivos estabelecidos.

Exclusão - A USP sempre teve um perfil elitista de alunos. Apesar de a escola pública abrigar 85% das matrículas do ensino médio, a grande maioria dos alunos da universidade saiu de escolas da rede privada, é branca e tem bom nível econômico. Entre 2012 e 2013, o porcentual de alunos de escola pública passou de 28% para 28,5%. Mas, levando em conta apenas as dez carreiras mais concorridas, só 19% dos matriculados vieram dessa rede.

Nesses dez cursos, metade dos ingressos é das classes A e B (com renda acima de 6.220 reais). E só quatro candidatos negros conseguiram se matricular.

Além do bônus, a oferta de um cursinho pré-vestibular é outra aposta da universidade para tentar modificar o perfil de seus ingressantes. O curso de reforço, para 1.000 alunos, será oferecido anualmente e terá duração de dez meses. As vagas serão destinadas a quem estudou na escola pública, prestou a Fuvest, mas não passou no vestibular.

A primeira edição, de caráter experimental, começará já a partir de agosto, com duração de cinco meses. As aulas serão ministradas por alunos de Licenciatura, sob a supervisão de estudantes de pós-graduação, na Cidade Universitária, zona oeste da capital.

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(Com Estadão Conteúdo)

sábado, 15 de junho de 2013

Frente Pró-Cotas apresenta alternativa ao Pimesp


Frente Pró-Cotas apresenta alternativa ao Pimesp
15/06/2013

Proposta reserva 55% das vagas das estaduais para negros, indígenas, deficientes e estudantes de escola pública

São Paulo – A Frente Pró-Cotas do Estado de São Paulo entregou à Assembleia Legislativa uma alternativa ao Projeto de Lei 530/2004, do Executivo, sobre o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Paulista (Pimesp). A proposta prevê reserva de 55% de vagas na USP, Unesp e Unicamp para negros, indígenas, deficientes e estudantes de escola pública.

Para o conselheiro da Uneafro Douglas Belchior, o Pimesp não é uma política de acesso à universidade. “É um programa que reúne alguns elementos que os programas de acesso que as faculdades já tem e garante um curso a distância (modelo college), que não garante sequer a presença deles na universidade. São Paulo continua ilhada nesse espaço de exclusão que se tornaram as universidades.”

Para Leando Salvático, estudante de pós-graduação e integrante do Núcleo de Consciência Negra da USP, a criação de programas de ações afirmativas é necessária para “fazer as pessoas acreditarem que é possível entrar em universidades públicas. O sistema de cotas é a proposta do movimento negro e estudantil para democratizar o acesso às universidades.”

Segundo Belchior, o movimento negro rejeita a proposta do governo do Estado de São Paulo e propõe a reformulação do texto do PL 530/2004. “Depois de duas audiências públicas na Alesp, organizamos um grupo de trabalho que formulou um novo texto, entregue no último dia 5”, diz Belchior.

Na próxima semana, a Frente Pró-Cotas se reúne para organizar uma campanha estadual pelo projeto de lei de iniciativa popular para a lei de cotas, em São Paulo, que deve arrecadar mais de 200 mil assinaturas.

Extraído de RedeBrasilAtual

Frente Pró-Cotas denuncia “Plano Institucional da USP”


Frente Pró-Cotas denuncia “Plano Institucional da USP”

14 de Junho de 2013 - 9h56

A Frente Pró-Contas de São Paulo denuncia e repudia a manobra da Reitoria da USP, que tenta de qualquer forma aprovar o que eles estão chamando de “Plano Institucional 2013-2018”, que se distingue completamente do Pimesp, provavelmente por vergonha de reconhecer o fracasso de sua proposta (de golpe) original. Abaixo, a nota na íntegra.

Nota de Repúdio ao “Plano Institucional da USP”

Diante da eminente derrota no Conselho no Universitário da USP do Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior de São Paulo (Pimesp) e da recente apresentação na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo de um Projeto de Lei que institui as Cotas Raciais com recorte Social nas universidade paulistas (PL das Cotas) que foi elaborado pela sociedade civil organizada, a Reitoria da USP tenta de forma desesperada aprovar um tal de “Plano Institucional 2013-2018”, que se distingue completamente do Pimesp, provavelmente por vergonha de reconhecer o fracasso de sua proposta (de golpe) original.

Esse tal "Plano Institucional da USP", além de ser mais uma tentativa da reitoria de se esquivar do debate das cotas, é problemático porque suas propostas não garantirão a inclusão de estudantes negros ou oriundos da escola pública. Quando analisamos cada uma das propostas, já percebemos o quanto elas são ineficazes:

- ampliação e aumento do bônus Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp): é um fato que o Inclusp já demonstrou ser um fracasso. Ao longo dos sete anos que vem sendo implementado, houve aumento de apenas 3% no número de estudantes oriundos de escola pública e não impactou em nada na entrada de alunos negros. Além disso, mais uma vez ocorre a vinculação do critério étnico-racial ao social, o que é um problema, dado que escamoteia o racismo e não contribui para um maior acesso da população negra à universidade. Por fim, um projeto similar ao que está sendo proposto existe na Unicamp e lá também houve poucos avanços na inclusão de estudantes negros e de escola pública.

- cursinho pré-vestibular: a criação de um cursinho pré-vestibular não é, a princípio um problema, no entanto, o recorte feito para os possíveis candidatos é excludente e prejudica os próprios candidatos. As vagas serem destinadas somente a estudantes que já concorreram ao vestibular fará com que esse estudante perca um ano em relação aos demais, problema que também foi identificado no Pimesp, em que a entrada do aluno negro ou de escola pública ocorreria dois anos depois dos candidatos que não estão estivesse dentro desse recorte. Além disso, seria bastante limitada a oferta desse cursinho. Se houver o interesse da Universidade em criar o cursinho, que ele seja aberto a todo estudante negro e/ou de escola pública que esteja no terceiro ano do ensino médio.

- embaixadores da USP e ampliação dos locais de provas: essas duas propostas parecem ser muito atrativas pelo propósito que têm de levar a USP a outros espaços. Entretanto, acreditar que o que impede os alunos de entrarem na Universidade é não conhecê-la ou não conseguir fazer a prova, é acreditar em uma mentira. É fato que a universidade está distante da sociedade, mas isso se dá pela maneira como ela é construída, pensando em atender exclusivamente a elite do país e o fato da grande maioria dos estudantes da USP serem brancos e de classe média é um reflexo disso. Para rompermos com essa característica é necessário um projeto de inclusão real, em que toda a universidade se volte para a sociedade, que é o que as cotas raciais e sociais pretendem e já demonstram que são capazes de fazer.

O tal "Plano Institucional" é um Inclusp com um percentual de "até 5%" (pode ser 0%) para negros e indígenas... proposta que nem de longe atende às demandas da sociedade por inclusão étnico-racial na Universidade, que é uma mais desiguais do país, como apontam os dados apresentados na "JUSTIFICATIVA do PL DAS COTAS”.

Vale ressaltar que a pauta "Implementação das Cotas Raciais na USP" foi inserida na pauta do Conselho Universitário de 20/09/2012 por conta de um Abaixo-Assinado elaborado pelos Representantes dos Alunos e foi deliberada nesta a criação de uma "Comissão de Discussão das Cotas Raciais na USP", o que nunca aconteceu. Porque a Comissão não foi criada e a discussão ocorrida foi sobre o Pimesp e não sobre as Cotas, como havia sido proposto e aprovado?

Nos envergonhamos com as inúmeras manobras que a atual Administração da USP tem feito para evitar que a Universidade de São Paulo se torne uma mais democrática no seu Acesso e também na sua Gestão. Isso demonstra uma tentativa desesperada de manutenção do status-quo que foi posto em xeque pelos acadêmicos que estudam "Inclusão Social" e pela sociedade brasileira, que apóia a implementação das Cotas Racias (Pesquisa IBOPE - 17/02/2013).

A vitória do Movimento pelas Cotas na USP está chegando! Pedimos a sua assinatura no Abaixo-Assinado para que o Projeto de Lei das Cotas que tramita na ALESP seja incluído na pauta de discussão e votação na próxima Reunião Ordinária do Conselho Universitário da USP, juntamente com o “Plano Institucional”.

Atenciosamente,

Frente Pró-Cotas Raciais na USP

Extraído de Vermelho

sábado, 16 de março de 2013

SP - ALESP audiência sobre cotas raciais

Movimentos sociais protagonizam audiência sobre cotas raciais

Pelo menos 400 pessoas estiveram reunidas na audiência pública que sacudiu a Assembleia Legislativa de São Paulo, no final da tarde de quarta-feira (13), que seguiu noite adentro. Na pauta, as cotas raciais nas universidades públicas paulistas. Estudantes, negros e brancos, além dos movimentos pró-cotas, foram os grandes protagonistas do debate, levando o recado aos deputados: “queremos debater e construir uma política inclusiva de cotas.”


Por Deborah Moreira - Da Redação do Vermelho
14 de Março de 2013 - 16h12

Os movimentos negro e estudantil deixaram claro que não passará desapercebido o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp), proposto de forma unilateral pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), impondo barreiras para a implementação da lei de cotas raciais nas universidades do estado. Além de debater, os movimentos querem dar sua contribuição para a democratização da universidade.

Inicialmente marcado para acontecer no auditório Franco Montoro, o debate foi transferido a pedido da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), presidenta da Comissão de Educação e Cultura, que realizou a audiência em conjunto com a bancada do PT. A presidenta da sessão solicitou um plenário maior devido a grande quantidade de presentes, o que acabou atrasando em meia hora o evento. Mesmo após quatro horas, a maioria permaneceu até o final, após as diversas intervenções de representantes do Conselho de Reitores das

A deputada comunista Leci Brandão até tentou conter os ânimos, mas a todo instante os estudantes faziam intervenções, entoavam palavras de ordem, levantavam cartazes, imprimindo na audiência a rebeldia necessária e na medida em que, ao final, foi saudada e reconhecida por Leci.

Em um desses momentos protagonizados pelos universitários presentes, eles cantaram o verso bastante simbólico do poeta baiano, José Limeira, em Negro homem, negra poesia, quando foi apontado na plateia o professor e cientista social da Universidade de São Paulo (USP), Kabengele Munanga: “Por menos que conte a história. Não te esqueço meu povo. Se Palmares não vive mais. Faremos Palmares de novo”.

O presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Edson França, presente na audiência, ressaltou ao Vermelho o significado da audiência pública: "Para nós a audiência é bastante relevante para primeiro mobilizar a Casa, os parlamentares para esse debate da cota. A Casa está muito distante disso. O governo Alckmin apresentou uma proposta, para o colegiado, mas como aqui é o espaço de representação do povo paulista, os deputados estaduais precisam entrar nesse debate. A gente tem percebido que em outros estados os parlamentos estaduais foram sujeitos bastante ativos no debate das cotas [raciais], assim foi quando ocorreu a discussão em nível federal, e assim precisa ser aqui em São Paulo. Temos um mandato bastante conservador no estado de São Paulo e a Casa está conservadora, a maioria da base do governo tem silenciado pontos importantes para os paulistas".

Edson e outras lideranças dos movimentos presentes defenderam o aproveitamento dos projetos de lei que já foram aprovados, discutidos e que traduzem a luta pela implementação das cotas raciais existente há mais de 10 anos.

“Viemos denunciar o caráter retrógrado, conservador e discriminatório dessa proposta do governo Alckmin e que desconsidera os 10 anos de cotas no Brasil. Não estamos iniciando uma discussão. O Brasil já tem uma discussão acumulada, tem resultados, tem avaliações apresentadas para o público e não se pode ignorar esse conhecimento coletivo do país. Não queremos categorias diferenciadas de cotistas. Queremos para São Paulo os mesmos direitos que os estudantes de outros estados têm”, destacou ele.

Por fim, Edson França também observou que a presença maciça de estudantes e militantes no plenário representa a força e o protagonismo que os movimentos têm nessa pauta: “É importante unificar de maneira coletiva uma proposta. Não só não queremos o Pimesp porque é uma proposta segregacionista, como queremos um modelo que já tenha sido proposto aqui na Casa, como o PL 530, assinado por 28 deputados, que atende o interesse da população pobre e negra do estado, que tem lutado pelas cotas”, completou o presidente da Unegro, em plenário.

Outros dois importantes representantes do movimento negro que estavam presentes, também  foram convidados a falar na audiência, em nome do movimento negro e entidades integrantes da Frente Pró-Cotas do Estado de São Paulo. Douglas Belchior, da Uneafro e o professor Silvio Almeida, do Instituto Luiz Gama.

“Depois da medida truculenta do governo de tentar impor um programa e apresentá-lo à sociedade em dezembro, sem dialogar com a sociedade, os movimentos se organizaram e reagiram com um grande manifesto bastante representativo. Nós estamos vencendo esse debate, a cada dia novos professores, setores da sociedade se colocam contra esse programa, esse projeto autoritário do Alckmin e do PSDB, bem como das reitorias. Hoje temos a oportunidade de iniciar um debate olho no olho, cara a cara com os reitores”, desabafou Douglas Belchior em entrevista ao Vermelho, pouco antes de subir ao plenário. “É um debate positivo, propositivo. Saímos daqui maiores do que quando chegamos”, concluiu.

De acordo com os representantes das organizações presentes, as mesmas não foram consultadas, nem mesmo a comunidade acadêmica das universidades paulistas estaduais, o que teria “atropelado os processos internos nas universidades de debate e diálogo”.

Qual o mérito do Pimesp?

Silvio Arruda esmiuçou, em sua fala durante a audiência, que o Pimesp traz três tipos de problemas: de ordem política, tendo em vista que está sendo imposto e não debatido, construído coletivamente; de ordem técnica, já que a construção do projeto em si, pouco se sabe sobre como foi feita e por quem foi construído, quais especialistas assinam o projeto; o terceiro, de ordem jurídica, que impede o acolhimento desse programa como um programa universal a ser implementado na universidade.

“Se o programa é de inclusão por mérito, qual o mérito das pessoas que construíram esse projeto? Não estou dizendo que não tenha, mas eu quero saber, quero ser informado para que eu possa discuti-lo com essas pessoas, já que o critério é de meritocracia para ocupar o espaço de poder”, exclamou Silvio Almeida sendo bastante aplaudido.

College

Silvio Almeida fez questão de explicar o que é o college, uma espécie de sala de espera para estudantes de baixa renda e negros.

“Por fim, sobre as questões de ordem jurídica, esse projeto cria um grupo chamado college, onde estariam os alunos por um ano ou dois anos, em uma etapa intermediária para poderem ingressar na universidade, fazendo um curso técnico. Agora, eu não sei quem foi que concebeu essa ideia do college, será que é eficiente? Não há dados sobre isso. Mas parece uma proposta segregacionista, porque é uma proposta da Univesp, de ensino à distância, e, portanto, será negado a esses alunos a convivência universitária. E quem olhar a grade curricular desse curso verá coisas do tipo ‘empreendedorismo’, ‘liderança’, ‘organização do trabalho’. Agora, quem conseguir chegar ao final de dois anos do curso, vai se formar no quê? Em organização do tempo? Ou liderança, empreendedorismo? Vai trabalhar aonde?”, indignou-se Silvio, que também é professor de direito e metodologia científica.

“Há dados distorcidos sem citação de fontes. Falando como professor, se um aluno meu apresenta um projeto com dados sem comprovação eu reprovo”, concluiu o representante do movimento negro sob muitas palmas.

“É necessário a nova abolição, pra trazer de volta a minha liberdade”

Por volta das 20h30, depois de muitos representantes dos movimentos e das reitorias falarem, a deputada Leci Brandão quebrou o protocolo, deixando temporariamente a presidência da mesa – entregando-a ao deputado Adriano Diogo (PT) – para dar seu próprio testemunho sobre a questão racial.

Citando os versos do sambista Cartola, a canção Autonomia, Leci falou de sua importância, referindo-se à autonomia universitária, mas enfatizando que é preciso valorizá-la.

“Ai! se eu tivesse autonomia
Se eu pudesse gritaria
Não vou, não quero
Escravizaram assim um pobre coração
É necessário a nova abolição
Pra trazer de volta a minha liberdade”

“Cartola disse isso. E eu estou dizendo o seguinte: se eu tivesse autonomia, se eu pudesse eu gritaria que todas as pessoas têm direito ao acesso, à inclusão, independentemente da cor da pele, da religião, da opção sexual. Todas as pessoas, absolutamente todas as pessoas, têm direito à educação”, parafraseou a compositora e cantora.

Bastante emocionada, Leci, que é a segunda mulher negra a assumir um mandato de deputado, ao longo de toda a história da Alesp, lembrou do sofrimento daqueles que chegaram ao país a bordo dos navios negreiros: “Sabe o que acontece quando você favorece algumas pessoas, e desfavorece outras? Isso se chama discriminação. Eu acho que mérito, louvor, sabe o que é mérito? O seio das escravas negras que alimentaram a elite branca. Sabe o que é mérito? São os negros que foram para a Guerra do Paraguai e morreram. Sabe o que é mérito? São as mulheres e homens que foram torturados e dizimados e por isso temos a Comissão da Verdade aqui, hoje”.

Mais uma vez parafraseando Cartola, ela encerrou seu discurso: “Isso é mérito e autonomia. Se eu pudesse gritaria, não vou, não quero, eu não quero as cotas das cadeias, as cotas do analfabetismo, se eu pudesse eu gritaria: eu quero as cotas da educação para todas as pessoas”.

Antes de voltar à presidência, Leci lembrou sua trajetória, de momentos que foi chamada de “enxerida, que já teve na lista de subversiva, que já foi chamada de radical, encrenqueira, barraqueira” por já ter apontado para a importância das cotas. “Porque essa palavra que todo mundo disse aqui hoje, cotas, eu já falo há mais de 25 anos nos palcos”, declarou a deputada comunista.

Leci Brandão expressou sua alegria e satisfação em ver tantas pessoas reunidas, afirmando que já havia agradecido muito aos seus orixás, além de agradecer ao presidente Lula pela criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em 2003, tornando-se a primeira secretaria com status de ministério. “O presidente Lula criou essa secretaria por conta do movimento negro. O movimento negro já vem fazendo a luta das cotas”, frisou a parlamentar, dando um recado aos reitores presentes.

“Mas porque que eu estou feliz? Eu to feliz porque estou vendo aqui nessa plateia a diversidade: temos negros, brancos, morenos, loiros. Está todo mundo aqui como cidadãos brasileiros. Mas estou mais contente porque estou vendo cidadãos jovens, porque tem muita gente que gosta de falar mal de jovens, que jovem é maluco. Mas não é isso não. Pode pensar o que for, pode beber o que for, pode fumar o que for, mas [o jovem] pensa, pensa e está aqui”, destacou Leci Brandão, sendo bastante aplaudida.

No final da audiência, a presidenta da Mesa determinou, acatando sugestões dos movimentos presentes, que seja formada uma comissão para dialogar com todos os parlamentares com a finalidade de "fazer um projeto único, atualizado, com a participação de todos", tendo em vista que existe "um aglomerado de boas ideias”.

Presenças e ausência

A grande ausência sentida foi a do reitor da USP João Grandino Rodas, que enviou a professora pró-reitora Telma Zorn. Esta, por sua vez, tentou deixar o auditório sem que fosse percebida. O deputado Alencar Santana (PT), interrompeu a fala de uma estudante para chamar a atenção da pró-reitora.

"Professora, não sei se a senhora está indo embora ou não. Está? Bom, só queria fazer uma indagação que vossa excelência está numa audiência, aqui nesta casa, o reitor não veio, mas peço que respeite os estudantes que aqui estão". Sob um coro que gritava "fica, fica, fica", Telma Zorn retornou ao seu lugar.

Também não compareceu o reitor da Universidade de Campinas (Unicamp), Fernando Ferreira Costa, que mandou como representante o professor João Frederico.

Estiveram presentes e deram início aos debates o reitor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Júlio Cesar Durigan, e o coordenador da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), Carlos Vogt.

Fonte: Vermelho

Unesp confirma adoção do programa de cotas do governo de SP

Sob protestos, Unesp confirma adoção do programa de cotas do governo de SP

Reitor da universidade anunciou posição favorável à adoção ao Pimesp em audiência na Assembleia Legislativa de São Paulo


Manifestantes protestam contra a política de cotas em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo Foto: Alesp / Divulgação

Daniel Fernandes Direto de São Paulo
13 de Março de 2013 - 22h20

O reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Julio Cesar Durigan, confirmou nesta quarta-feira, em audiência marcada pela presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputada Leci Brandão (PCdoB), que a universidade é favorável à adoção do Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior (Pimesp), proposto pelo governo do Estado no final do ano passado.

"A Unesp tem interesse em fazer a inclusão. (..) Iremos fazer isso nos próximos três anos. Essa é uma decisão da nossa universidade", disse Durigan. Embora a proposta de destinar 50% das vagas para negros e alunos de escolas públicas, gradualmente a partir de 2014, tenha partido do governador Geraldo Alckmin em parceria com os reitores, cada instituição tem liberdade de decidir se vai ou não adotar as cotas.

Ao contrário da Unesp, os reitores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Campinas (Unicamp), João Grandino Rodas e Fernando Ferreira Costa, respectivamente, não compareceram à audiência, o que motivou protestos no auditório da Assembleia Legislativa. Eles haviam sido convidados pela comissão, e agora podem ser convocados a comparecer para discutir o tema com os deputados. Representando a USP, compareceu a pró-reitora de graduação, Telma Zorn, e pela Unicamp, o pró-reitor de extensão, João Frederico C. A. Meyer.

Em meio a fortes protestos de movimentos estudantis e sociais, principalmente de grupos de defesa dos direitos dos negros, os representantes das universidades apresentaram a situação da discussão do programa em suas instituições. Além da Unesp, que já manifestou intenção de aderir ao programa, a representante da USP afirmou que a universidade encaminhou às suas 42 unidades a proposta no dia 28 de janeiro, e o prazo para resposta é de 60 dias. O discurso de Telma Zorn terminou com fortes protestos dos presentes no auditório.

Também por conta dos protestos, o representante da Unicamp interrompeu sua fala e não divulgou maiores detalhes sobre a implementação do programa na universidade.

Críticas

Além dos representantes das universidades, estiveram no evento os deputados Alencar Santana, Adriano Diogo, Telma de Souza, Luiz Cláudio Marcolino e Marco Aurélio, todos do PT, Carlos Giannazi (Psol), Samuel Moreira e Roberto Engler, ambos do PSDB, Beto Trícoli (PV) e o coordenador da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), Carlos Vogt e representantes de movimentos estudantis e sociais.

Em suas falas, tanto os políticos como os representantes dos movimentos foram em sua maioria contrários à adoção do Pimesp. Segundo o presidente do Instituto Luiz Gama, o advogado Silvio Luiz de Almeida, o programa contraria as políticas de afirmação da população negra através de cotas aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho de 2012. Para ele, a proposta não representa as demandas e o desejo da população e dos movimentos sociais.

"O Pimesp atropelou todas as discussões, tendo nascido da cabeça dos reitores, o que não significa que nasceu nas universidades", afirmou o advogado. "Universidade é comunidade acadêmica", completou.

Segundo Douglas Belquior, professor de História e Sociologia e membro da UneAfro, São Paulo deveria ter um programa de cotas semelhante ao do governo federal, que reserva 50% das vagas em universidades federais para alunos egressos do ensino público, com uma reserva dentro desse fatia proporcional ao número de negros, pardos e índios em cada estado do País.

De acordo com ele, o governo de São Paulo não acata as decisões do STF e do governo federal de incluir essa população no ensino superior público, e busca maneiras de driblar a obrigação, como com a proposta do Pimesp. "São Paulo não participa da vida política do País.É uma ilha de exclusão, uma ilha de racismo", disse.

Um dos integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, Pedro Serrano, quetsionou a ausência dos reitores da Unicam e da universidade onde estuda, e acusou o projeto de ter teor político.

Segundo ele, o Pimesp representa uma ante-sala aos estudantes de escolas públicas e negros, que passariam a ter uma etapa adicional em seu ingresso à universidade, ao invés de ter garantida a entrada como na proposta do governo federal. Para Serrano, o modelo forma apenas mão de obra para o mercado, e não garante acesso desse público às instituições.

Saída causa desconforto

O líder do PT na Assembleia, o deputado Alencar Santana Braga, interrompeu a sessão e pediu a palavra para questionar a representante da USP que deixava a audiência. "O reitor já não veio, peço para que a senhora permaneça", afirmou o deputado a Telma Zorn, que foi vaiada por parte dos presentes e permaneceu no local. Posteriormente, ela deixou a mesa da comissão, e foi alvo de críticas de Alencar.

"Isso é uma falta de respeito com os movimentos aqui presentes", disse o petista. "Não adianta dizer que foi tomar um cafézinho", ironizou.

Cotas em São Paulo



Fonte: Terra

Política de cotas de São Paulo segrega alunos

Para ministro da Educação, política de cotas de São Paulo segrega alunos

Aloizio Mercadante critica modelo defendido por Geraldo Alckmin, afirmando que contraria ideia de que universidade deve servir à integração social, e não à exclusão

Por: Raimundo Oliveira, da Rede Brasil Atual
Publicado em 11/03/2013, 19:52

São Paulo – O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse hoje (11) que a política de cotas apresentada pelo governo de São Paulo mantém os estudantes de escolas públicas apartados do convívio universitário, criando exclusão no local em que deveria ocorrer a integração social. “É uma política de cotas que mantém o aluno segregado. Se é assim, o governador deveria adotar esse sistema para todos os alunos que quisessem ingressar na universidade”, disse, durante conversa com jornalistas após audiência pública na Assembleia Legislativa paulista.

Para Mercadante, não se pode dizer que a proposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB) funcione como alternativa à política de cotas do governo federal, como argumenta a gestão tucana. “Esse sistema de college é usado em vários países, mas de maneira diferente. Aqui os alunos não têm garantia se vão conseguir o diploma ou o certificado no final do curso, nem se a carga horária do curso será abatida como crédito depois que ingressarem na universidade”, afirmou.

Baseado no college, o ensino superior dos Estados Unidos, o programa de cotas do governo estadual também é criticado por movimentos de promoção da igualdade racial. Os selecionados terão de fazer um curso semipresencial de dois anos. Para ter acesso às universidades, será necessário completar o segundo ano, com, no mínimo, média sete. No entanto, ao final do primeiro ano de curso, os que obtiverem desempenho acima de 70% já terão vagas garantidas nas Faculdades de Tecnologia (Fatecs). A distribuição dos outros 60% das vagas por cotas será definida a critério de cada universidade.

Para Mercadante, outro defeito da proposta de Alckmin é que não há a garantia de continuidade em caso de mudança de governo, já que não se trata de um projeto de lei, mas de uma decisão tomada internamente, e sem que fossem ouvidos deputados e representantes da sociedade civil. O ministro da Educação apresentou como contrário a política do governo federal, implementada desde 2003 e que, a partir do ano passado, foi reforçada pela aprovação de um projeto de lei que prevê que negros e indígenas tenham direito a 50% das vagas até 2020.

“Atualmente, nas universidades federais, 12,5% dos alunos são cotistas. O desempenho dos melhores alunos cotistas é igual ao dos alunos não cotistas.” Para se preparar para a realidade futura, disse Mercadante, o governo federal está criando planos que viabilizem do ponto de vista financeiro a permanência de alunos pobres, com oferecimento de transporte e moradia, e que garantam um processo de aprendizado para aqueles que cheguem ao ensino superior em estágio inferior aos demais estudantes.


quarta-feira, 13 de março de 2013

Cotas em diálogo - USP

Cotas em diálogo
Tendências/Debates: Cotas em diálogo - 12/03/2013

LILIA SCHWARCZ / MARIA HELENA MACHADO / JOHN MONTEIRO*


O estratégico e espinhoso assunto das cotas sociais e étnico-raciais está em pauta. Acaba de ser enviado aos docentes da USP (Universidade de São Paulo) o projeto Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp), com um prazo exíguo de 30 dias para a manifestação da comunidade universitária.

Sabemos que as universidades estaduais paulistas estão atrasadas, sobretudo em relação às federais, no que tange ao ingresso amplo ao ensino superior público e de qualidade. No entanto, tal situação não justifica que, após anos de silêncio, sejamos levados a tomar decisões de afogadilho, que podem aprofundar os problemas que queremos corrigir.

O projeto não traz autoria e vem recheado de números cuja origem não é indicada. Fica a impressão de um projeto apressado e preliminar, preparado sem dar ouvidos à comunidade acadêmica paulista ou aos movimentos sociais que vêm discutindo a questão da inclusão social e das cotas já há um bom tempo.

O projeto do Pimesp declara o objetivo de que pelo menos 50% das matrículas sejam preenchidas por alunos oriundos do ensino médio público e, dentre esses, 35% autodeclarados PPIs (pretos, pardos e indígenas). A proposta apresenta, no entanto, medidas problemáticas, que podem aumentar as desigualdades sociais e étnico-raciais, em vez de abrir caminho para diminuí-las.

A medida mais problemática é a criação de um Instituto Comunitário de Ensino Superior (Ices), inspirado no "Community College" norte-americano, que são faculdades de formação profissional e de educação continuada em cursos de dois anos. Não parece acertado que as universidades estaduais paulistas, centros de excelência reconhecidos internacionalmente, apropriem-se de maneira inadequada de um modelo que não se coaduna com nossas reais necessidades de inclusão.

                                                         Herman Tacasey/Folhapress

O Ices se propõe a oferecer cursos gerais de complementação da escolarização média e "formação sociocultural superior para exercício de cidadania". Ora, se queremos enfrentar as desigualdades, devemos começar por reconhecer os jovens de baixa renda e os PPIs como cidadãos que merecem e exigem muito mais do que uma extensão do ensino médio num formato paternalista. O que esses alunos almejam é participar da experiência universitária de nossos campi, de maneira plena e cidadã.

Ademais, tal proposta parece desconhecer o grau de inserção e desempenho dos alunos que entram em outras escolas pelo sistema de cotas. O risco é criarmos novos espaços de exclusão e distanciar o nosso ensino público da direção almejada por todos nós: a diminuição das desigualdades sócio-raciais.

Segundo a proposta, os alunos da escola pública e os PPIs fariam esse curso, em grande parte, à distância. Nada justifica a implantação desse sistema para jovens alunos, carentes justamente das possibilidades que a convivência universitária pode trazer.

Finalmente, após dois anos, o Pimesp considera a possibilidade do aluno "incluído" ingressar na universidade real, "respeitando o mérito acadêmico". O Pimesp não oferece, pois, nenhuma garantia de acesso desse aluno ao sistema universitário integral e, pior, aqueles que conseguem completar os cursos, terão feito no mínimo seis anos de formação, com os dois cursados no Ices.

Aprovado o Pimesp como está, não é difícil imaginar que continuaremos a ter universidades predominantemente brancas e elitistas, já que a inclusão se dará à distância.

Consideramos, assim, premente a abertura de um amplo debate público nas universidades estaduais paulistas. É passo necessário para o processo de democratização e inclusão efetiva no ensino superior, meta que hoje o Brasil enfrenta como um dos seus maiores e mais profundos desafios.

* LILIA M. SCHWARCZ é professora titular da Universidade de São Paulo (USP) e global professor da Universidade Princeton; MARIA HELENA P. T. MACHADO é professora titular da USP; e JOHN M. MONTEIRO é professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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Fonte - FSP